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O cancelamento das festividades da “tocha olímpica” na região de Osaka, anunciada esta quarta-feira, é apenas um dos sinais do alerta máximo em que se encontram as autoridades japonesas devido à mutação E484K, também conhecida pelos cientistas por “Eek“, que foi detetada em variantes como a sul-africana e britânica e que terá entrado no Japão através de um centro de imigração. Mutação pode colocar em causa a eficácia da vacinação contra a Covid-19, um processo que, aliás, está a progredir lentamente no país que vai receber as Olimpíadas.

Numa altura em que faltam pouco mais de 100 dias para o início dos Jogos Olímpicos, a região de Osaka, no oeste do Japão, é onde o contágio parece estar a ser mais rápido – o número de novas infeções diárias está em recorde já desde a semana passada. As autoridades de saúde pública estão a lançar medidas de confinamento localizado que deverão manter-se pelo menos ao longo deste mês de abril.

A E484K não é exatamente uma nova variante, mas sim uma mutação da proteína spike que pode ocorrer em várias variantes e que já foi detetada na variante sul-africana (B.1.351) e brasileira (B.1.1.28). O que torna esta mutação mais preocupante é que confere ao vírus uma capacidade maior de escapar às defesas (anticorpos) do corpo humano, o que também implica que as vacinas poderão ser menos eficazes na prevenção da infeção e da doença grave (ou fatal).

Outro risco é que os vírus com esta mutação podem tornar mais prováveis as situações de reinfeção. “Isto é provável, em parte, porque a mutação E484K pode enfraquecer a resposta imunitária e também afetar a longevidade da resposta imunológica neutralizadora”, notou Lawrence Young, virologista ligado à Warwick University.

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Em meados de fevereiro, o Japão confirmou a entrada no país desta mutação do novo coronavírus, um patógeno que foi detetado num centro de imigração em Tóquio (ao que tudo indica, terá tido origem fora do país). Logo nessa altura, Katsunobu Kato, porta-voz do governo japonês, avisou que esta mutação “pode ser mais contagiosa e, se continuar a espalhar-se, poderá levar a um rápido aumento do número de casos”.

O vaticínio parece estar a confirmar-se. “Peço a todos os residentes de Osaka para evitarem saídas desnecessárias”, pediu o responsável, reconhecendo que “o sistema de saúde está sob grande pressão”, pediu Hirofumi Yoshimura, governador de Osaka. “É quase uma certeza que esta nova variante é altamente contagiosa, com uma velocidade de transmissão muito rápida”, alertou o responsável numa declaração na televisão.

Ainda não é possível estimar a prevalência desta mutação no Japão, já que apenas uma pequena percentagem dos casos positivos de Covid-19 são sujeitos a análise genómica de modo a apurar quais as variantes ou mutações que estão presentes, segundo a Reuters. Porém, as autoridades públicas – e o próprio primeiro-ministro, Yoshihide Suga – insistem que os Jogos Olímpicos vão decorrer como previsto, embora se admita que as medidas agora anunciadas para Osaka sejam replicadas em Tóquio e outras regiões.