O presidente da junta de São Teotónio, Dário Guerreiro, manifestou-se esta terça-feira aliviado pelo levantamento da cerca sanitária devido à Covid-19 na sua freguesia, no concelho de Odemira (Beja), mas lamentou a implementação da medida.

“Sinto um sentimento de alívio, como é óbvio, mas este sentimento de alívio acaba por não compensar todos estes dias que estivemos aqui, dentro desta cerca sanitária”, afirmou, em declarações à agência Lusa.

Para o presidente da Junta de Freguesia de São Teotónio, o anúncio do levantamento da cerca sanitária, a partir das 24h00, feito esta terça-feira, na sede de concelho, pelo primeiro-ministro, António Costa, não “deveria sequer ter tido lugar”.

“Porque isso significaria que não teríamos tido esta cerca sanitária, em primeira instância”, acrescentou.

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Numa cerimónia no Cineteatro Camacho Costa, em Odemira, no distrito de Beja, o primeiro-ministro, António Costa, anunciou esta terça-feira o levantamento da cerca sanitária, a partir das 00h00 de quarta-feira, que estava em vigor em duas freguesias daquele concelho — São Teotónio e Longueira-Almograve.

Hoje durante a tarde reunimos um Conselho de Ministros eletrónico que já está concluído e portanto foi decretado o levantamento da cerca sanitária a partir das 24h00 de hoje nestas duas freguesias”, afirmou o chefe de Governo.

O primeiro-ministro falava poucos depois de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter dito que tinha sido informado por António Costa do fim das restrições naquele concelho do litoral alentejano.

Para o autarca de São Teotónio, agora, “há que olhar” e “seguir em frente, ter calma e coragem para reerguer a imagem” do território.

Isto porque, na sua opinião, a imagem do território local “ficou danificada, nestes últimos dias”, devido à cerca sanitária decretada pelo Governo, no dia 29 de abril, tendo entrado em vigor no dia seguinte.

Na altura, a medida, aprovada em Conselho de Ministros, deveu-se à elevada incidência de casos de Covid-19, sobretudo naquelas duas freguesias e em trabalhadores do setor agrícola, muitos deles imigrantes, segundo justificou na altura o Governo

Na sua intervenção, o primeiro-ministro indicou que o Governo recebeu esta manhã uma comunicação do coordenador de saúde pública do Litoral Alentejano a dar conta de que “a maior parte” dos casos atuais de Covid-19 corresponde “a cadeias de transmissão já identificadas”, que não há transmissão comunitária e a propor o fim da cerca.

António Costa frisou que, nos cerca de 15 dias em que vigorou a cerca sanitária, este território registou uma “diminuição muito significativa do ritmo de transmissão”, mas alertou que a decisão do Governo “não significa que o problema tenha desaparecido”.

O Conselho de Ministros, em comunicado divulgado após a reunião desta terça-feira, revelou que “decidiu o Governo alterar as medidas de restrição da circulação” nas duas freguesias em Odemira “que estavam em vigor desde 30 de abril”.

A decisão atendeu “à evolução positiva da situação epidemiológica verificada naquelas freguesias, decorrente em grande medida da implementação de mecanismos para a mitigação das dificuldades que o elevado grau de mobilidade e as dinâmicas próprias daquela zona geográfica criavam no combate à propagação do vírus SARS-CoV-2”, pode ler-se no comunicado.