A Nio, que está de “malas feitas” para a Europa, tem como um dos argumentos a seu favor o facto de ter apostado na tecnologia de troca de baterias na China. Solução que vai implementar igualmente no Velho Continente e em que agora a Geely, grupo de que faz parte a Volvo e a Polestar, decidiu também apostar. O fabricante chinês apresentou um monovolume, relativamente acessível, preparado para fazer a operação em escassos 60 segundos. Mais rápido, portanto, que atestar o tanque de gasolina ou gasóleo e sem que seja sequer necessário o condutor sair do veículo.

O modelo em causa enverga o emblema da Maple, fabricante que é maioritariamente (78%) detido pela Geely – os restantes 22% pertencem à Kandi Technologies -, razão pela qual o Maple 80V se baseia no Geely Jiaji, um MPV lançado no mercado em 2019. Só que enquanto o Jiaji é comercializado apenas com motores a gasolina (um 1,8 litros Turbo de 184 cv e um híbrido plug-in que combina um 1.5T e uma unidade eléctrica com 140 kW), o Maple 80V surge exclusivamente como um modelo 100% eléctrico. Tem um preço de acesso à gama de 20.453€, à cotação actual, e oferece uma potência em pico de 100 kW (136 cv) e 230 Nm de binário máximo.

Praticamente com as mesmas medidas do Jiaji (4,706 m de comprimento, 1,909 m de largura e 1,699 m de altura), o Maple 80V possui uma distância entre eixos de 2,807 m. Contudo, não é o formato familiar ou a versatilidade que faz com que seja notícia, mas sim o facto de as suas baterias – que inicialmente se disse serem fornecidas pela Hefei Guoxuan High-Tech – estarem preparadas para ser substituídas em estações criadas para esse efeito. Batendo, no processo, as melhores alternativas em termos de carga super-rápida. Basta um minuto para passar de 0 a 100% ou, melhor, de uma bateria vazia para outra com carga completa:

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Para já, trocar de acumulador é um serviço disponibilizado exclusivamente aos operadores da empresa de transporte com chauffeur CaoCao e o custo, na moeda chinesa, é equivalente a 7 euros. Contudo, já no final de 2020, a Geely fez saber que pretendia ter para cima de um milhar de estações de troca de bateria.

Este tipo de solução, até agora descartado pelos construtores europeus, começa a ser encarado com outros olhos por alguns dos players tradicionais. Prova disso é que o CEO da Renault, Luca de Meo, confessou num evento promovido pelo Financial Times que estava a equacionar a hipótese de os futuros modelos eléctricos do grupo francês oferecerem esta solução.

Convém ter presente que, embora cómoda e rápida, a troca de baterias exige um forte investimento numa rede de estações. Para cúmulo, de uso exclusivo da respectiva marca, o que só não acontecerá se existir uma standardização do sistema – algo que não se vislumbra exequível, por óbvias necessidades de diferenciação por parte dos construtores. Por outro lado, admitindo a possibilidade de trocar de baterias, colocar-se-á em causa a garantia associada ao acumulador oferecida pelo fabricante.