O Governo norte-americano anunciou na sexta-feira medidas contra o regime do Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, que foi recebido pelo homólogo russo, apesar do escândalo internacional causado pela intercetação de um avião europeu para deter um jornalista.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, pediu “uma investigação internacional credível” sobre o desvio de um avião da Ryanair que ligava Atenas a Vilnius, escoltado até Minsk por um avião bielorrusso, considerando que estes acontecimentos são “uma afronta direta aos padrões internacionais”.

Os Estados Unidos estão a preparar com a União Europeia “uma lista de sanções direcionadas contra membros-chave do regime de Lukashenko, associados às atuais violações dos direitos humanos e corrupção, à falsificação das eleições de 2020 e aos eventos de 23 de maio”, acrescentou a porta-voz.

Bielorrússia. Como Lukashenko ficou isolado: entre o despertar da oposição, a condenação internacional e até a desconfiança de Putin

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O Departamento do Tesouro dos EUA também está a trabalhar no desenvolvimento de sanções contra “elementos do regime de Lukashenko e a sua rede de apoio”.

Os Estados Unidos também aconselharam os seus cidadãos a evitarem viagens à Bielorrússia e a “tomarem precauções extremas”, caso considerem apanhar um avião que sobrevoe este país.

Washington confirmou a entrada em vigor, em 03 de junho, de sanções económicas contra nove empresas estatais bielorrussas.

Lukashenko reúne-se com Putin e acusa Ocidente de tentar “desestabilizar” a Bielorrússia

Numa clara demonstração de apoio ao regime bielorrusso, o presidente russo, Vladimir Putin, recebeu Alexander Lukashenko na sexta-feira, na cidade balnear Sochi, junto ao Mar Negro.

Durante o encontro, Lukashenko acusou o Ocidente de tentar “desestabilizar” a situação no seu país e Putin congratulou-se com os “resultados concretos” da aproximação entre Moscovo e Minsk.

A Bielorrússia está submetida a intensa pressão internacional após ter desviado um avião da Ryanair, forçado a aterrar em Minsk em 23 de maio e que implicou a detenção do jornalista dissidente Roman Protasevich e da sua companheira, que seguiam a bordo.

Quem é Roman Protasevich, “o primeiro jornalista terrorista” detido no avião que Lukashenko sequestrou?

Protasevich, 26 anos, cujo canal Nexta na rede social Telegram se tornou a principal fonte de informação nas primeiras semanas de protestos antigovernamentais após as eleições presidenciais de agosto de 2020, encontra-se detido em Minsk e já foi submetido a interrogatórios.

As presidenciais de 09 de agosto de 2020 na Bielorrússia deram a vitória a Lukashenko, com 80% dos votos, no poder há 26 anos, um escrutínio contestado pela oposição e que não é reconhecido pelos países ocidentais.