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A vantagem de cinco pontos a menos de dois minutos do final do quinto e último jogo da final da Liga colocava o FC Porto em clara superioridade para reconquistar o título cinco anos depois, curiosamente numa época que até marcava o regresso dos dragões ao principal escalão da modalidade depois da extinção da secção profissional em 2012, na sequência da final perdida na “negra” no Dragão Caixa frente ao Benfica. Depois, tudo mudou. E o próprio clube admite voltar a deixar o basquetebol ao mais alto nível depois do que se passou.

Sporting vence FC Porto no último segundo da “negra” com um lance livre e sagra-se campeão 39 anos depois

Moncho López, um técnico habitualmente calmo, já tinha ficado à beira de um ataque de nervos quando, numa posse de bola ainda em vantagem no marcador dentro do último minuto, viu uma bola solta e disputada entre Riley e Travante Williams transformar-se numa posse de bola para os leões. Ainda assim, iria explodir por completo pouco depois, no lance decisivo da partida: com o encontro empatado a 85 e 6,8 segundos por jogar com posse para os azuis e bancos, Nevels lançou com um toque não sancionado de Ellisor em baixo antes do lançamento (Travante também saltou com o base/extremo mas é do início da ação que os dragões se queixam) e, na disputa do ressalto, os árbitros assinalaram falta a Anderson no ressalto sobre Micah Downs, que iria para a linha de lance livre fazer o ponto que daria a vitória que consagrou o Sporting campeão.

Ainda antes de o americano chegar à linha de lance livre, o técnico espanhol dos portistas deu um murro na mesa onde estavam as medalhas, pontapeou uma cadeira e ainda um balde que estava perto do banco. Depois do 86-85, Nevels, o melhor marcador do jogo 5 da final, atirou o troféu o chão, partindo-o de tal forma que alguns responsáveis da Federação estiveram depois a tentar unir as peças para fazer a entrega do mesmo aos leões. E outros jogadores, como Miguel Queiroz e João Soares, foram ainda protestar com os árbitros antes de seguirem para o balneário e de lá saírem para o autocarro, sem receberem as medalhas de finalistas vencidos.

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“Após o desconto de tempo pedido por Moncho López, Garrett Nevels assumiu o lançamento e falhou mas sofreu uma falta de James Ellisor que Carlos Santos deixou passar em claro. Na sequência, o mesmo árbitro assinalou falta a Eric Anderson Jr sobre Micah Downs no ressalto e ofereceu literalmente dois lances livres ao Sporting com menos de um segundo para jogar (…) Tal como no primeiro jogo, o FC Porto saiu do Pavilhão João Rocha com claras razões de queixa do trabalho da equipa de arbitragem. E tal como no primeiro jogo, as decisões difíceis nos derradeiros instantes foram sempre a favor do Sporting, o que ajuda a explicar porque é que não foi o FC Porto a erguer o troféu de campeão nacional (…) Foi um título sonegado às claras num resultado fortemente influenciado pelo árbitro Carlos Santos”, escreveram os portistas no site oficial do clube.

“Estou sem palavras para o que se passou hoje! A maior vergonha que vi em toda a minha vida! Peço desculpa a todos os que gostam de basket e de desporto pelo que acabaram de assistir! Hoje gozaram connosco e com o trabalho de uma época inteira. Tenho os meus colegas completamente desolados e não consigo suportar não poder fazer rigorosamente nada”, escreveu no Instagram o capitão dos dragões, Miguel Queiroz.

“Esta final ficou marcada por decisões polémicas sempre contra o FC Porto. Aquilo que se passou hoje foi uma das maiores roubalheiras a que já assisti. Já recebi mensagens do nosso presidente, que está indignado, bem como de outros elementos da Direção e até de jogadores de equipas adversárias, que manifestaram o seu espanto por aquilo que aconteceu. Na próxima semana vamos ter uma reunião para decidir de vale a pena manter uma modalidade que fizemos regressar à Primeira Divisão e na qual temos dignificado o clube. Aquilo que se passou hoje é gravíssimo. Foi uma roubalheira monumental. Não foi só o jogo de hoje. É inacreditável o que aconteceu hoje, portanto vamos ter que repensar a modalidade. Estou solidário com o FC Porto, com a minha Direção e com os sócios, que vibraram connosco e estão revoltadíssimos. O que aconteceu hoje é de uma indignidade brutal. É uma vergonha!”, assumiu o diretor Vítor Hugo, também em declarações aos meios do FC Porto.

“Estou há muitos anos em Portugal e já vi coisas que gosto muito e outras que gosto menos, mas o que aconteceu hoje é algo inadmissível. Foi uma arbitragem que mostrou uma clara tendência de prejudicar a nossa equipa e podemos ficar com a jogada final: há uma falta que não se apita sobre um jogador nosso e que nos dava a possibilidade de ir para a linha de lance livre e vencer o jogo. Quem sabe o que aconteceria depois, mas é inacreditável que não se apite aquela falta. Houve um critério desigual durante todo o jogo, o que me faz pensar que foi intencional. Custa, sobretudo quando falamos de árbitros deste nível, internacionais, mas com a frieza que estou a falar podemos ir atrás na série, a outros jogos. Muitas vezes sentimos que havia a tendência de apitar com critérios díspares. Isto é um fraco favor ao basquetebol português, suja a modalidade e põe em causa muitas coisas. Quem percebe de basquetebol, como eu, não ficará só com o lance final”, assumiu Moncho López.