O desportivo de acesso à gama da Ferrari está a escassos dias de ser revelado. O fabricante de Maranello anunciou que a apresentação decorrerá ainda este mês, já no próximo dia 24, num vídeo em que sugere que o novo modelo vai materializar o conceito de “diversão ao volante”.

Para passar essa mensagem foi escolhido nem mais nem menos que o campeão mundial da F1 Pro Series em 2019, o piloto da Ferrari David Tonizza, que surge aos comandos de um simulador de condução. No ar fica a ideia de que “é impossível descrever” as sensações do novo Ferrari: palavras para quê, quando se pode passar à prática?

SF90 Stradale. Este é o primeiro híbrido plug-in da Ferrari

Do próximo desportivo que vai dar continuidade à linha inaugurada pelo SF90 Stradale, ou seja, será o segundo híbrido plug-in de Maranello, muito se diz mas pouco se sabe. O nome permanece uma incógnita, ainda que muitos arrisquem apostar que será chamado SF60 ou até Dino, designação que remete para o primeiro V6 introduzido pelo construtor italiano em 1974, no Dino 246 GT, o único Ferrari que nunca envergou o emblema do construtor. Mas como a Ferrari costuma dar asas à criatividade na hora de baptizar as novas criações, a dúvida vai permanecer até à revelação oficial.

Será também nessa ocasião que finalmente conheceremos a solução técnica adoptada pela Ferrari com o nome de código F171. O desportivo híbrido tem sido apanhado em testes, ainda com uma forte camuflagem, mas nada de oficial transpirou quanto ao esquema motopropulsor. Contudo, os americanos da Motor Trend apontam para uma sinergia com a Maserati, com a Ferrari a aproveitar a plataforma do MC20 e o V6 de 3,0 litros sobrealimentado que o coupé do tridente monta. Faria sentido, tendo presente que esse bloco é herdado do Alfa Romeo Giulia QV como uma derivação mais “calma” do V8 de 3,9 litros do F8 Tributo e do SF90 Stradale… Presumivelmente, o motor eléctrico será o mesmo que o SF90 monta atrás, somando 220 cv aos 630 cv do V6, para uma potência combinada acima de 700 cv.

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Maserati MC20 é um superdesportivo com 630 cv e motor central

A autonomia deverá ser outra das áreas em que a Ferrari procurará tirar partido da evolução das baterias, pois os 12,9 km do Stradale em modo exclusivamente eléctrico são um pouco “curtos”. Além dos acumuladores terem evoluído, o facto de o F171 ser expectavelmente um tracção traseira (e não integral permanente como no SF90 Stradale) facilitaria um alcance em modo zero emissões mais dilatado.

Resta aguardar para ver até que ponto a Ferrari, que anunciou recentemente que vai desfilar nas passerelles e retomar a sua incursão pela comida gourmet – tirando partido da sua imagem com novas fontes de receita – ainda nos consegue surpreender nas quatro rodas. Agora com um “empurrãozinho” de kilowatts, com certeza numa marcação cerrada ao também novo McLaren Artura, o PHEV da marca britânica que é igualmente o seu modelo de acesso à gama.