A confiança no sector industrial transformador não fugiu à regra e registou uma queda muito acentuada com a chegada da pandemia a Portugal e, em especial, quando foi decretado o primeiro confinamento. O valor mais baixo do indicador foi atingido em Maio de 2020, tendo caído para -38,5 pontos. Este foi o seu nível mais baixo em, pelo menos, 13 anos. O impacto da pandemia na indústria começou a fazer-se sentir antes ainda da chegada do vírus a Portugal, quando se registou a instabilidade de algumas cadeias logísticas de fornecimento de matérias-primas e componentes para vários produtos, que são importadas.

O facto de muitas unidades industriais trabalharem com clientes e fornecedores externos condiciona a evolução do negócio para além da conjuntura interna da economia portuguesa. Uma vez que uma parcela relevante da sua actividade é destinada à exportação, o sector industrial está menos exposto à evolução da conjuntura pandémica de Portugal e foi o primeiro dos sectores de actividade a recuperar os níveis de confiança para terreno positivo. Isso aconteceu em Maio de 2021, quando o indicador de confiança chegou a +1,7 pontos, o que significa que uma maioria dos gestores e responsáveis do sector já faziam uma avaliação positiva da evolução da actividade. Desde Agosto de 2018 que o indicador não estava em terreno positivo.

Entre as componentes que estão a “puxar” o indicador para cima, destaca-se a avaliação muito positiva (+17,2) da produção para os próximos três meses, acompanhando a expectiva de uma retoma geral das economias.

O Indicador de Confiança da Indústria Transformadora é obtido a partir de inquéritos de opinião regulares que o Instituto Nacional de Estatística faz a gestores e responsáveis de empresas do sector.

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A medida apresentada é o Saldo das Respostas Extremas — diferença entre a percentagem de inquiridos que dá respostas de valoração positiva e as de valoração negativa — e reflecte avaliações sobre a carteira de encomendas, a tendência da produção para os três meses seguintes e o nível de stocks.

Este artigo faz parte de uma série chamada “Pandemia em Números”, onde se analisa a economia portuguesa na sequência da Covid-19. Trata-se de uma parceria entre o Observador, a Fundação Francisco Manuel dos Santos e a Pordata.