Os futebolistas portugueses e belgas ajoelharam-se no campo do Estádio Olímpico La Cartuja antes do apito inicial do árbitro no jogo dois oitavos de final do Euro 2020. Os atletas pousaram o joelho direito no solo e erguerem a mão direita com o punho cerrado — uma forma de protesto contra a brutalidade policial dirigida a pessoas negras.

O gesto foi emprestado a Colin Kaepernick, quarterback da National Football League (e ativista dos direitos civis) que em 2016 começou a ajoelhar-se antes de cada partida, durante o hino americano, para se manifestar contra a desigualdade racial e a opressão das forças policiais contra a comunidade negra. A iniciativa foi depois adotada por movimentos como o Black Lives Matter e tem sido repetida por várias seleções no Euro 2020.

A Bélgica já tinha adotado esta forma de protesto durante os jogos da fase de grupos, mas esta foi a primeira vez que a seleção portuguesa se manifestou dentro de campo, ajoelhando-se contra o racismo. Depois de os belgas se terem baixado, Cristiano Ronaldo repete o gesto e todos os outros atletas portugueses seguem o exemplo do capitão português. Alguns deles, como Renato Sanches, levantaram também o punho, tal como Lukaku e Witsel.

A iniciativa partiu da seleção de Inglaterra, que começou a ajoelhar-se dentro de campo após a morte de George Floyd, que perdeu a vida quando foi imobilizado pelo agente Derek Chauvin, condenado na sexta-feira a 22 anos de prisão. A equipa foi criticado por alguns adeptos, mas o técnico Gareth Southgate defendeu que se continuasse a repetir aquele protesto: “Acho que temos uma situação em que algumas pessoas pensam que isto é uma questão política com a qual não concordam. Não é essa a razão por que os jogadores estão a fazer isto. Nós estamos a apoiar-nos uns aos outros”.

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O País de Gales seguiu o apelo da seleção inglesa, mas a Bélgica foi a única equipa fora do Reino Unido a anunciar que também se ajoelharia. Por outro lado, a Hungria foi o primeiro país a confirmar que não faria o mesmo: “As regras da UEFA e FIFA não permitiam politização dentro de campo ou no estádio, o que a Federação Húngara de Futebol aceita e com o que também concorda”.

Outras seleções não se ajoelharam, mas honraram o gesto: os atletas Croácia, por exemplo, apontaram para a braçadeira “Respect” da UEFA enquanto a Inglaterra se manifestava. Os jogadores da Dinamarca aplaudiram enquanto a Bélgica e o País de Gales se ajoelhavam. Portugal não tinha anunciado até agora se se manifestaria contra a opressão racista, mas fê-lo este domingo pela primeira vez.