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Em Outubro, os chineses começarão a receber as primeiras unidades do Xpeng P5, berlina eléctrica do segmento D que aponta directamente ao Model 3, procurando aliciar clientes com um preço muito inferior ao modelo da Tesla e uma autonomia que pode chegar aos 600 km, em ciclo NEDC – mais optimista que o actual método europeu WLTP.

Apresentado em Abril, no Salão de Xangai, o Xpeng P5 inicia agora a sua carreira comercial, com o anúncio dos preços com que poderá ser adquirido no mercado doméstico, a China. Conforme referimos, entre os seus principais trunfos está o preço, pois a versão de entrada é proposta por valores a partir de 20.800€, após incentivos, e a de topo não vai além dos 30.000€, fazendo a conversão da moeda local. E estes valores, só por si, chamam a atenção, na medida em que a marca chinesa já fez saber que pretende ir além-fronteiras, nomeadamente para a Europa. Quando e como ainda não foi divulgado.

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Com 4,81 metros de comprimento, 1,84 m de largura, 1,52 m de altura e uma distância entre eixos de 2,77 m, o Xpeng P5 é 12 cm mais comprido que o Tesla Model 3 e 8 cm mais alto, é ligeiramente menos largo (1 cm), mas perde 11 cm na distância entre eixos. Isso leva a antecipar uma habitabilidade inferior, até porque a capacidade da bagageira consegue superar a do Tesla (450 litros versus 425). Mas isso só se excluirmos os 117 litros que o Model 3 oferece sob o capot da frente, na frunk.

Há também diferenças nos conjuntos motrizes, pois o rival chinês do Model 3 apresenta-se sempre e só com um motor eléctrico com 155 kW (208 cv) e 310 Nm de binário, ao contrário do Tesla, que pode ter tracção traseira (238 cv) ou integral (351 cv no Long Range ou 480 cv no Performance). Isso reflectir-se-á garantidamente nas prestações, mas acaba por beneficiar o alcance entre recargas. Há um total de seis versões, duas capacidades de bateria (55,9 ou 71,4 kWh contra 60 ou 82 kWh do Model 3) e autonomias entre 460 e 600 km, em NEDC. É precisamente este último dado que acicata a rivalidade entre os dois modelos, na medida em que o Tesla anuncia entre 448 e 614 km entre visitas do Model 3 ao posto de carga, mas de acordo com o mais realista protocolo WLTP, sendo comercializado na China por preços a partir de 235,900 yuan, o equivalente a pouco mais de 31.000€.

A oferta do P5 é comercialmente designada com a autonomia homologada, seguida das letras G, E ou P, que correspondem ao nível de sistemas de assistência à condução – as versões G não têm XPILOT, o E possui a versão 3.0 do XPILOT e o P está equipado com a versão mais recente (3.5). Assim, a gama vai do 460G e 460E, com a bateria mais pequena, aos 550G, 550E e 550P, já com o acumulador de 71,4 kWh, bateria esta que também é montada no topo de gama 600P.

De referir que todos os P5 “P”, com preços de 199.900 yuans para o 550 e de 223.900 yuans para o 600, integram de série dois sensores LiDAR, um em cada lado do painel frontal. Segundo a marca, tal permite-lhes identificar peões, ciclistas e trotinetas, distinguir obstáculos parados e obras na estrada, mesmo à noite ou com mau tempo. A Xpeng recorre ao LiDAR (equipamento que tradicionalmente não funciona bem em chuva e nevoeiro) recorrendo a feixes de luz laser para avaliar o ambiente físico que rodeia o veículo, enquanto os radares se apoiam nas ondas de rádio. Também aqui a chinesa Xpeng diverge da Tesla que, por enquanto, é o único construtor que acredita ser possível oferecer uma condução 100% autónoma sem recorrer aos sensores LiDAR. Nas palavras de Musk, quem confiar nesta tecnologia “está condenado”. Segundo ele, “são sensores caros e desnecessários” que “não valem nada”.