Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

A Bloomberg foi a primeira a revelar que a Tesla recebeu a maior encomenda de sempre de veículos eléctricos. Nada menos que 100 mil veículos, encomendados pela empresa de rent-a-car e Hertz. A informação foi confirmada pela Reuters, cujo CEO interino, Mark Fields, justificou a operação como sendo uma “vantagem competitiva” para a companhia norte-americana.

Recorde-se que a Hertz pediu protecção de falência no ano passado, pois os credores queriam continuar a receber, mas a pandemia provocou um rombo na facturação da empresa, na medida em que faltavam clientes a viajar e alugar carro. Situação que só foi possível resolver com o resgate de um grupo de investidores, que inclui a Knighthead Capital Management, a Certares Opportunities e a Apollo Capital Management.

Fields não avançou, em concreto, qual o montante total da encomenda colocada junto do fabricante de veículos eléctricos. Mas acabou por admitir que a maior parte seria Model 3, a berlina mais acessível da Tesla, que nos EUA tem um preço de entrada na gama de 44.000 dólares, segundo a Reuters. Admitindo a hipótese de as 100.000 viaturas encomendadas serem exclusivamente do Model 3 mais barato, isso significa que o construtor liderado por Elon Musk vai receber 4,4 mil milhões de dólares, o equivalente a cerca de 3,8 mil milhões de euros. Porém, os proveitos desta gigantesca encomenda por parte da Hertz não se resumem a isso.

Como qualquer empresa cotada em bolsa, a Tesla é muito sensível às expectativas e a às previsões dos analistas. Ora, em relação às primeiras, não haveria como não causar “boa impressão” quando a marca Tesla é associada à maior encomenda de veículos eléctricos de sempre. Em relação às segundas, na visão da Morgan Stanley, a Tesla vai continuar numa rota de aumento da produção, prevendo os analistas que em 2030 supere os 8 milhões de unidades vendidas.

Valor da Tesla ultrapassou os 900 mil milhões após resultados do trimestre

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Na sexta-feira, 22 de Outubro, os títulos da Tesla foram transaccionados a 909,68 dólares à hora de fecho. Nesta segunda-feira, na reabertura, a cotação estava a 950,61$, para depois atingir 1045,01$ durante o dia. De caminho, as acções do construtor ultrapassaram a fasquia dos 998,74$, valor que coloca a capitalização bolsista da empresa acima do bilião de dólares (trilião, na língua inglesa), tal como a Reuters tinha previsto. Isto coloca a Tesla na exclusiva categoria em que militam gigantes na tecnologia como a Apple, Amazon, Microsoft e Alphabet (Google).

Os 100 mil Tesla encomendados pela Hertz vão começar a chegar aos pontos da locadora em Novembro, prevendo-se que até ao final de 2022 todos os veículos sejam entregues. Isso fará com que a frota desta rent-a-car passe a ser representada em mais de 20% por veículos eléctricos. Por outro lado, só este negócio representa para a Tesla um décimo da sua produção anual prevista para 2021.