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A Rússia enviou esta quarta-feira bombardeiros para sobrevoar a fronteira entre Bielorrússia e Polónia, onde milhares de migrantes que tentam entrar na Europa estão concentrados.

Dois aviões russos Tu-22M3 fizeram voos de reconhecimento do espaço aéreo bielorrusso nas proximidades da fronteira ocidental, asseguraram os Ministérios da Defesa dos dois países, que garantem que os procedimentos “serão realizados de forma regular” a partir de agora.

Trata-se de uma nova demonstração de apoio de Putin a Lukashenko, que se reuniram esta terça-feira e “trocaram opiniões sobre a situação dos migrantes”, vindos em grande parte da Síria mas também do Iraque, Afeganistão e África.

Putin e Lukashenko discutem crise migratória na fronteira com Polónia

Moscovo também culpou a União Europeia pela crise na fronteira entre os dois países, acusando-a de tentar “estrangular” a Bielorrússia com o fecho das fronteiras aos fluxos migratórios, conta a agência Reuters.

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A Polónia, Letónia e Lituânia, os países onde as pessoas têm entrado ilegalmente desde o início do ano, acusam a Bielorrússia de provocar deliberadamente esta crise, conduzindo os migrantes às fronteiras, como forma de chantagem e retaliação face às sanções impostas pela União Europeia.

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Por sua vez, Lukashenko diz que “não há dinheiro nem energia para restringir a passagem de migrantes ilegais” para a Europa.

O Presidente bielorrusso também tinha acusado a Polónia anteriormente de estar à procura de uma guerra, dizendo que a crise migratória é um pretexto para reforçar o dispositivo militar na fronteira e que os tanques de guerra que o país enviou não servem para dispersar migrantes.

Também esta quarta-feira, a chanceler alemã Angela Merkel pediu a Vladimir Putin para que agisse contra a “instrumentalização de migrantes” por parte da Bielorrússia. Em resposta, o Presidente russo disse que a União Europeia deveria discutir a crise diretamente com Minsk.