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Um dos fundadores da Web Summit afirmou em tribunal que Paddy Cosgrave, atual diretor executivo, utilizou os recursos do evento “para o benefício do seu agregado familiar”, inclusivamente quando utilizou o site da conferência para vender roupa assinada pela mulher, a modelo e estilista Faye Dinsmore, em 2019. Uma camisola tricotada à mão custava 850 euros; e uma camisola para criança era vendida por 240 euros, recorda o Independent irlandês.

O Observador contactou esta manhã a Web Summit para obter um comentário de Paddy Cosgrave ou da sua equipa legal, tendo recebido ao final da tarde a seguinte resposta: “David Kelly está a acumular queixas [judiciais] após queixas e estão a ser feitas puramente para distrair e desviar do processo legal que a Web Summit intentou contra este na Irlanda por violação do dever fiduciário, relacionado ao fundo Amaranthine”. “Aguardamos com expetativas futuras audiências, quando as questões de facto receberão a devida consideração”, adiantou a organização do evento.

David Kelly e Paddy Cosgrave estão por trás de uma disputa na justiça entre a Graiguearidda Ltd (empresa do primeiro) e a Manders Terrace Ltd, empresa de que a cimeira tecnológica faz parte, o próprio diretor executivo da Web Summit e a Proto Roto Limited, que lhe pertence. David Kelly abandonou em março o cargo diretivo que mantinha na empresa-mãe da cimeira, dizendo que não era consultado para qualquer decisão.

O antigo parceiro de negócios de Paddy Cosgrave afirma que o dinheiro lucrado com a Web Summit foi utilizado para fazer instalações na casa pessoal do diretor do evento, nomeadamente a instalação de internet num anexo, e para pagar as cópias de chaves para as amas dos filhos. David Kelly diz mesmo que Paddy tratava a Web Summit como “uma extensão da sua pessoa”.

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Mais: David Kelly acusa o fundador da Web Summit de ser “tóxico”, “manipulador” e “ameaçador”; e alega que a relação entre os dois foi marcada por situações de assédio e coerção: “Tenho sido alvo de bullying, assédio, abuso, coerção e intimidação. O relacionamento entre nós agora está completamente rompido e pode ser descrito como irremediavelmente tóxico”, descreveu.

No Supremo Tribunal da Irlanda, onde estas declarações foram proferidas, o advogado da Manders Terrance comentou que “as queixas apresentadas, tomadas no seu auge, equivalem a opressão” e que a equipa legal pretende “defender vigorosamente o processo”. Mas “a decisão de não se opor à entrada [do caso no Supremo] não é de forma alguma um reflexo da visão dos réus sobre o mérito do caso”.

Este novo processo surge depois de a Manders Terrance ter acusado David Kelly de ter desviado o equivalente a 8,6 milhões de euros, fruto do sucesso da Web Summit, para um fundo de investimento — uma alegada violação do dever fiduciário, que obriga os administradores de dinheiro de investidores a agir para preservar os interesses dos clientes. David Kelly nunca comentou estas acusações.

*Artigo alterado às 20h44 com declarações da Web Summit enviadas ao Observador.