Após um arranque de primeira e segunda partes onde sobraram sobretudo aplausos para a forma como a equipa conseguia pressionar, ganhar bola em terrenos avançados, forçar o erro e criar oportunidades, e um final de metade inicial marcada por críticas a uma decisão de António Nobre que lhe valeu mesmo cartão amarelo, Sérgio Conceição foi um treinador particularmente ativo nos últimos 20 minutos, andando de um lado para o outro na zona técnica percebendo que o domínio do jogo que até aí tinha sido inquestionável já não estava sólido. No final, a vitória chegou mesmo e as reações que tivera antes mostraram bem a sua relevância, naquele que foi o nono triunfo consecutivo na Liga num dia especial para o técnico.

Señor Díaz tirou o chapéu ao regresso do melhor Uribe (a crónica do FC Porto-Sp. Braga)

Puxemos o filme 72 horas atrás. Na passada quinta-feira, Sérgio Conceição ficou a saber que tinha sido castigado por 15 dias pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, num processo que vinha desde fevereiro quando o técnico criticou a arbitragem após um nulo no Jamor com o Belenenses SAD. Mais: como a sanção só começava a contar a partir de dia 10, estaria afastado dos próximos quatro jogos dos azuis e brancos, incluindo a receção ao Sp. Braga na Liga e ao Benfica na Taça de Portugal, no dia 23. O recurso acabou por ser acelerado, teve efeito suspensivo e o treinador foi mesmo para o banco frente aos minhotos, terminando a festejar mais um triunfo após um insucesso na Europa.

Sérgio Conceição foi castigado por 15 dias, pode falhar clássico mas sanção é passível de recurso (com efeitos suspensivos)

Dessa forma, e mesmo sabendo-se, como já referiu várias vezes, que no FC Porto “celebram-se títulos e não vitórias, registos ou recordes”, Sérgio Conceição cumpriu o jogo 150 no Campeonatos pelos dragões com um triunfo que, em paralelo, fez com que conseguisse igualar a melhor pontuação de sempre do clube à 14.ª jornada, com os mesmos 38 pontos de Bobby Robson em 1995/96, António Oliveira em 1996/97 e André Villas-Boas em 20101/11 – tudo épocas que acabaram com os portistas como campeões. Em paralelo, tornou-se também o primeiro treinador a somar nova vitórias seguidas em duas ou mais épocas nos azuis e brancos depois de Dorival Yustrich, técnico campeão no final dos anos 50.

“Foi um bom jogo, um excelente jogo, uma boa publicidade para o nosso país entre duas equipas que lutam pelos mesmos objetivos: tentar chegar ao primeiro lugar no final. Nós entrámos fortes, a perceber o que o Braga fazia e não deixar que essa dinâmica sem bola fluísse, mais uma vez com três ou quatro ocasiões para marcar. Podíamos ter ido com outro resultado mas também não sei se o Moura estava em fora de jogo no lance da oportunidade do Braga”, começou por dizer o técnico na flash interview da SportTV.

“Na segunda parte fomos na mesma toada mas pressionar durante 90 minutos não é fácil e às vezes temos de gerir. Nos primeiros cinco a dez minutos criámos algumas ocasiões. Percebemos a zona e como pressionar e provocar o erro, não deixando o adversário ligar da forma como gosta nas duas fases de jogo. O Piazón e o Horta provocam esses movimentos e eu modifiquei o meu onze, porque percebo e tenho a humildade para perceber que o Sp. Braga é forte. Não foi encaixar no Sp. Braga mas sim ajustar. Correu bem, foi um bom jogo e uma vitória merecida”, acrescentou Sérgio Conceição.

“Temos jogado com dois avançados mas diferentes um do outro na ocupação dos espaços. Hoje foi diferente. Queria que o Matheus [Uribe] desse liberdade aos nossos laterais para ir buscar os laterais do Sp. Braga, permitia aos homens da frente serem muito pressionantes. E aí o Matheus fez um jogo fabuloso do ponto de vista da estratégia. Depois, com o Marco [Grujic] e o Vitinha a não deixar ligar, a limitar o Sp. Braga de chegar ao nosso terço defensivo. Os jogadores interpretaram na perfeição mas não é possível fazê-lo durante 90 minutos. É normal que com o decorrer do jogo haja desgaste”, concluiu.