Uma residente da comunidade remota de Yuendumu (Austrália) está a pedir ao governo do Território do Norte que forneça instalações para quarentena local. O pedido vem na sequência de uma familiar idosa ter testado positivo para a Covid-19 e ter sido forçada a dormir na varanda e passar três dias debaixo de uma árvore para cumprir o isolamento e não colocar em risco o resto da família.

A mulher Warlpiri, que não quis ser identificada, está “preocupada” com o seu bebé e com o seu parceiro — que faz diálise – já que acaba por expô-los ao vírus ao cuidar da idosa infetada. Relata ainda, ao The Guardian, que a comunicação com as autoridades de saúde a deixou confusa, não tendo ficado explicito se a familiar será levada para outro lugar ou se permanecerá em casa.

Deve existir um lugar de quarentena algures em Yuendumu”, sublinha a mulher. “As pessoas que testaram positivo têm ficado nas suas casas, em todas as casas de Yuendumu, foi assim que a propagação [do vírus] se tornou muito rápida”.

Casas desabitadas ou instalações públicas locais da cidade, sugeriu, podiam ser utilizadas para aliviar a pressão sobre as famílias, cujas casas estão superlotadas e as pessoas infetadas convivem com as não infetadas. Ela só quer “manter a comunidade segura”, evitando que os habitantes fiquem “stressados e frustrados por deixar pessoas com Covid-19 no quintal”. A mulher exemplifica, contando que numa casa vivem 23 pessoas, onde partilham a cozinha e a casa de banho, sendo impossível fazer isolamento.

O NT Health (sistema de saúde público) foi contactado pelo The Guardian para clarificar a forma como está a gerir o confinamento das populações mais isoladas, em particular qual é o critério para retirar as pessoas de casa e transferi-las para instalações de quarentena. Ainda na semana passada, um grupo local de emergência de saúde de Yuendumu demonstrou preocupação pelo “modelo urbano” de gestão da pandemia – testes, quarentena, entre outros — não estar a funcionar para estas comunidades.

“É preciso ter honestidade e transparência [e admitir] que não está a funcionar e isso está a colocar todos em risco. É inútil continuar a apoiar um modelo urbano”, menciona o grupo, segundo a ata da reunião de 17 de janeiro, citada pelo mesmo jornal.

Na sexta-feira, a cidade Yuendumu registou 12 novos casos de Covid-19, passando para 53 o número de casos ativos numa população com cerca de 750 pessoas.