O movimento começou em Otava, no Canadá, onde ainda continua a ocupar as ruas. Milhares de manifestantes bloqueiam as ruas da cidade, exibindo cartazes com mensagens contra as medidas de combate à pandemia de Covid-19. Mas o protesto deverá chegar a novas latitudes. Durante o fim de semana, está a ser organizado, em Paris, uma manifestação idêntica — designada de comboio da liberdade — que partirá depois para Bruxelas. A situação está a preocupar as autoridades francesas, que admitem uma resposta “forte” a um eventual protesto.

Com 278 mil membros, é principalmente num grupo do Facebook que se estão a organizar os protestos que dizem defender “liberdades e direitos fundamentais” da população. Os manifestantes deverão vir de todas as partes do país, desde Nice a Estrasburgo, convergindo em Paris.

No caso de um cenário idêntico ao canadiano, o ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, garantiu uma resposta “extremamente firme” por parte do Estado. Para já, adiantou que não tem conhecimento de que esteja a ser organizado uma manifestação idêntica à canadiana, mas indicou que as autoridades estão prontas para agir.

Colocamos os nossos meios em ação e se alguma vez os manifestantes quiserem bloquear a liberdade a outras pessoas, vamos assumir as nossas responsabilidades”, assegurou Gérald Darmanin em entrevista ao canal de televisão francês BFM.TV, acrescentando que nunca permitirá que a “liberdade de movimento seja prejudicada”.

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Ponte que liga importante via em Otava ocupada pelos manifestantes. Trudeau pede fim e diz que não passam de “minoria marginal”

A ponte Ambassador, que liga ao Canadá aos EUA, foi esta terça-feira ocupada pelos manifestantes. Esta é uma das principais vias de acesso a Detroit, a maior cidade do estado norte-americano do Michigan, e por onde se transportam mercadorias. Esta é uma paragem simbólica para os organizadores dos protestos, uma vez que estas manifestações tiveram origem na obrigatoriedade de vacinação aplicada a trabalhadores transfronteiriços.

As manifestações continuam a bloquear parte significativa da cidade, afetando o trânsito e o comércio local, e o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, disse que “têm de terminar”. Num debate na Casa dos Comuns (após ter estado em isolamento durante sete dias devido a um teste positivo), o líder do governo disse que estes manifestantes representam uma “minoria marginal” da população.

Justin Trudeau acusou também os manifestantes de proferirem “insultos” aos cidadãos que utilizam máscara. “A pandemia foi péssima para todos os canadianos. Mas os canadianos sabem que a maneira de a ultrapassarem é continuando a ouvir a ciência”, afirmou o primeiro-ministro do Canadá, prometendo também apoiar o governo provincial do Otava com “todos os recursos que precisar” para porem termo aos protestos.

Na Casa dos Comuns, Justin Trudeau foi atacado pelo Partido Conservador, o maior na oposição, alegando que o primeiro-ministro está a dividir os canadianos.