A administração russa que controla a cidade costeira ucraniana de Kherson vai substituir a moeda ucraniana pelo rublo a partir de domingo, 1 de maio, anunciou esta quinta-feira um funcionário russo local.

“A partir de 1 de maio, passaremos à zona do rublo”, disse o vice-presidente da administração local russa, Kirill Stremooussov, citado pelas agências francesa AFP e espanhola EFE.

As duas moedas, hryvnia e rublo, poderão circular em paralelo durante um período de transição que poderá durar quatro meses, disse Stremooussov à televisão Rossiya-24, segundo a agência russa Ria Novosti.

“Depois disso, mudaremos completamente para pagamentos em rublo”, acrescentou.

A administração russa de Kherson foi criada após a tomada da cidade portuária do sul da Ucrânia pelas tropas de Moscovo, reclamada em 3 de março.

Situada próxima da Crimeia anexada por Moscovo em 2014, Kherson é a primeira e até agora única grande cidade ucraniana sob controlo total dos russos desde que invadiram a Ucrânia, em 24 de fevereiro.

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A Ucrânia acusa a Rússia de querer organizar um referendo sobre a independência na região de Kherson, tal como na região vizinha de Zaporíjia, onde está localizada a central nuclear com o mesmo nome.

Um referendo semelhante foi feito na região do Donbass em 2014, quando os separatistas pró-russos, apoiados por Moscovo, assumiram o controlo parcial daquela região do leste da Ucrânia.

Os separatistas proclamaram então as “repúblicas populares” de Donetsk e Lugansk, que Moscovo reconheceu como independentes pouco antes de lançar a invasão de 24 de fevereiro.

“Não haverá República Popular de Kherson. Se alguém quiser uma nova anexação, sanções mais poderosas atingirão a Rússia”, disse o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em 22 de abril.

O Ministério da Defesa russo afirma ter levado a “vida pacífica” de volta a Kherson, mas têm ocorrido na cidade manifestações contra a Rússia e contra o referendo, de acordo com ‘sites’ ucranianos de meios de comunicação que mostram fotografias e vídeos.

Cerca de 300.000 pessoas viviam em Kherson antes da guerra.

Desconhece-se o número de baixas civis e militares provocadas pela guerra na Ucrânia, que entrou esta quinta-feira no 64.º dia.

A ONU confirmou a morte de 2.787 civis desde 24 de fevereiro, mas tem alertado para a probabilidade de o número real ser consideravelmente superior.

O conflito levou mais de 5,3 milhões de pessoas a fugir da Ucrânia, na pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia, segundo a ONU.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, está esta quinta-feira em Kiev, onde se reunirá com o Zelensky e também com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba.

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