Um sismo foi sentido esta terça-feira na ilha de São Jorge, nos Açores, elevando para 303 os abalos percecionados pela população e para 43.593 os registados desde o início da crise sismovulcânica, revelou o CIVISA.

Numa nota informativa divulgada na sua página da internet, o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) indica que, pelas 00h56 desta terça-feira (01h56 em Lisboa), um evento de magnitude 1,6 na escala de Richter foi sentido com intensidade máxima III na freguesia de Urzelina, concelho de Velas.

Num ponto de situação feito esta terça-feira, o CIVISA refere que a atividade sismovulcânica que se tem vindo a registar na ilha de S. Jorge desde as 16h05 de 19 de março “continua acima do normal, estendendo-se, grosso modo, ao longo de uma faixa desde a Ponta dos Rosais até à zona do Norte Pequeno — Silveira”.

“Até ao momento, foram registados aproximadamente 43.593 eventos de baixa magnitude e de origem tectónica”, acrescenta.

Entre as 00h00 e as 10h00 desta terça-feira “foram contabilizados aproximadamente 124 sismos (um dos quais sentido)”.

Nos abalos sentidos com intensidade III na Escala de Mercali Modificado (intensidade Fraca), o abalo é “sentido dentro de casa” e “os objetos pendentes baloiçam”, sentindo-se uma “vibração semelhante à provocada pela passagem de veículos pesados“, descreve-se no site do Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA).

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De acordo com o CIVISA, “globalmente, a atividade sísmica das últimas semanas apresenta uma ligeira tendência decrescente, por vezes interrompida por pequenos períodos de maior frequência e/ou energia libertada”.

Atualmente, “os hipocentros [dos eventos] situam-se, no geral, a profundidades superiores a cinco quilómetros”.

“No âmbito da monitorização geodésica, os dados existentes desde o início de abril não evidenciam deformação significativa na zona epicentral”, acrescenta.

A 8 de junho, o CIVISA baixou o nível de alerta na ilha de São Jorge de V4 (ameaça de erupção) para V3 (sistema ativo sem iminência de erupção).

A ilha estava desde 23 de março, às 15h30 (mais uma hora em Lisboa), com o nível de alerta vulcânico V4 de um total de sete, em que V0 significa “estado de repouso” e V6 “erupção em curso”, na sequência da crise sismovulcânica registada desde 19 de março.

Antes disso, tinha sido ativado o alerta V2, no dia 20 de março às 00h40, e o V3, no mesmo dia, pelas 02h40.

Não obstante a descida do alerta, “a atividade sísmica continua muito acima dos valores de referência para a região, pelo que se mantém a possibilidade de se registarem eventos sentidos”.

Segundo o CIVISA, também “não se pode excluir a eventual ocorrência de sismos de magnitude mais elevada“.

A integração da informação disponível permite concluir que as estruturas tectónicas onde se desenvolveram as erupções históricas de 1580 e 1808, e a crise sismovulcânica de 1964, no Sistema Vulcânico Fissural de Manadas, foram reativadas, sendo de admitir que no início do fenómeno ocorreu uma intrusão magmática em profundidade”, descreve.

O CIVISA “mantém os níveis de monitorização” na ilha, ao mesmo tempo que “está a providenciar o reforço da rede de observação sismovulcânica permanente, no sentido de poder detetar sinais precursores de uma nova situação pré-eruptiva”.

O sismo de maior magnitude (3,8 na escala de Richter) desta crise ocorreu no dia 29 de março, às 21h56.