“Nunca tinha visto nada assim como ele na minha vida. O que me disse o guarda-redes do Copenhaga? Que ele não é humano…”, confidenciou Jack Grealish após mais uma goleada do Manchester City na Liga dos Campeões. O internacional inglês até terminou como MVP do jogo, sabendo ao mesmo tempo que só foi o MVP do jogo porque o verdadeiro MVP, Erling Haaland, saiu ao intervalo já com dois golos marcados (e a tentar o hat-trick perfeito de cabeça). Depois, aquela troca de palavras com o adversário que revelou após o encontro de forma pública contava o resto. E houve mesmo uma petição que agarrou nessa ideia.

“O que me disse o guarda-redes do Copenhaga? Que ele não é humano…”: mais uma noite na vida de Haaland (e dois golos em 45 minutos)

O que podiam fazer adeptos de Manchester United, Chelsea, Liverpool, Arsenal e Tottenham juntos a uma só voz? No ano passado, combatiam a ideia de uma Superliga Europeia, aproveitando em muitos casos para colocar em causa os respetivos proprietários; agora, o apoio a uma petição que começou por ter carácter humorísticos mas rapidamente passou para algo maior que defendia que o norueguês deveria ser expulso da Premier League por ser um robô e não um ser humano. A adesão foi tanta que, quase com dois milhões de signatários, a proposta foi retirada por forma a evitar que o tema fosse levado ao parlamento inglês caso alguém seguisse com a mesma para as instâncias competentes. Ainda assim, ficou a ideia.

Olá, Manchester. O meu nome é Haaland e sou o novo dono da cidade (a crónica do 6-3 do City ao United)

Contas feitas, o arranque do gigante avançado superou todas as melhores expetativas, não só a nível individual (20 golos e três assistências apenas em 13 jogos, 15 golos em nove partidas na Premier League) mas também coletivo pela forma como a equipa se foi adaptando e integrando em campo um jogador com características quase estranhas à ideia de jogo de Pep Guardiola. Não é propriamente um elemento barato, custando de acordo com o Sportsmail um total de quase um milhão de euros por semana tendo em conta o salário base e os bónus dos golos que vai fazendo, mas é um investimento que tem valido a pena. Tanto que, durante o Mundial, e por estar de fora com a Noruega, terá uma a duas semanas de férias para poder descansar em termos físicos e mentais para atacar depois a segunda metade desta temporada.

Agora seguia-se o Southampton, equipa que tentaria no Etihad Stadium aproximar-se ao máximo do que fez o Bournemouth em relação ao escandinavo (o jogo acabou em 4-0 mas não marcou, fazendo somente uma assistência) e evitar ao máximo o atropelo ao Manchester United no 6-3 da semana passada, onde fez um hat-trick mais duas assistências. E os saints ainda aguentaram 65 minutos, entre uma bola ao poste e um remate por cima, antes do 20.º golo em 13 jogos do norueguês que continua a caminhar a passos largos para quebrar uma série de recordes. No entanto, e na sombra dos feitos do gigante avançado, há outros elementos num momento fantástico. João Cancelo, com um golo e uma assistência, é um deles.

O encontro começou logo com uma oportunidade dos citizens, numa das muitas descidas de João Cancelo pela esquerda em combinações com Phil Foden para o remate ao segundo poste de Mahrez para defesa de Gavin Bazunu (1′). Estava dado o mote para uma partida de sentido único, que teve ainda mais um remate com perigo de Mahrez e uma bola ao poste de Haaland antes do golo inaugural de Cancelo, numa grande jogada individual pela esquerda antes do remate cruzado (20′). Em nove jogos, o português fez o segundo golo; na Champions, em três encontros, fez quatro assistências O festival ofensivo seguiu até ao intervalo, com Phil Foden a receber uma assistência de De Bruyne para fazer o chapéu do 2-0 (32′). Só mesmo em cima do intervalo o Southampton rematou por Armstrong por cima da baliza de Ederson (45′).

O que poderiam os saints fazer partindo do pressuposto que não havia espaço para milagres? Basicamente, nada. E o Manchester City fez questão de reforçar isso mesmo no arranque do segundo tempo, com Rodri a receber de Cancelo, a fazer a assistência bombeada para o segundo poste e Mahrez a fazer o 3-0 com um remate de pé esquerdo de primeira (49′). Faltava aquela marca do costume, por mais que todos os defesas do Southampton estivessem mais atentos a Haaland do que a tudo o resto. E o golo do norueguês chegou mesmo, após mais uma grande assistência de Cancelo após combinação com Kevin de Bruyne (65′), fechando o 4-0 final de um encontro com pouca história mas que teve outro grande recital do português.