O Estado português está em risco de ter de pagar uma indemnização por causa do projeto assinado enquanto José Sócrates era primeiro-ministro para construir a linha ferroviária de alta velocidade que ligaria o Poceirão à fronteira de Caia, em Elvas. O jornal Expresso apurou junto de uma fonte próxima que o processo movido pela ELOS – Ligações de Alta Velocidade ainda está em curso e pode custar 220 milhões de euros, que correspondem aos 149,6 milhões que o Estado foi condenado a pagar em 2016, acrescidos de juros.

O contrato para a construção do TGV foi assinado em maio de 2010 depois da ELOS ganhar a concessão num concurso público, mas a obra nunca avançou porque o Tribunal de Contas chumbou o projeto em 2012. A ELOS reclamou então uma indemnização de 169 milhões de euros ao Estado que levou à constituição de um tribunal arbitral por falta de acordo entre as duas partes.

Em 2016, esse tribunal determinou que, do valor reclamado pelo consórcio, o Estado deveria pagar 149,6 milhões, decisão que não foi aceite pelo mesmo, tendo avançado para tribunal com uma ação de anulação. Já em 2018, e porque a situação nunca se resolveu, a ELOS pôs uma ação de execução que subiu a compensação para 192 milhões, valor acrescido de juros até à data. Estes processos continuam a arrastar-se até hoje.