João Gomes Cravinho, ministro dos Negócios Estrangeiros, recusou assumir qualquer tipo de responsabilidade política na “Operação Tempestade Perfeita”, investigação que culminou da detenção de altos quadros da Defesa detidos por factos ocorridos durante a passagem de Cravinho pela pasta da Defesa.

Em declarações aos jornalistas, o governante garantiu que agiu sempre “de acordo com a informação que tinha em cada momento” e em que devido tempo enviou o material que tinha para a Inspeção-Geral de Defesa, o Tribunal de Contas e a Procuradoria-Geral da República”.

Perante a insistência dos repórteres ali presentes, Gomes Cravinho evitou fazer mais comentários. “É um momento de trabalho da Justiça; não é momento para comentários políticos. Num Estado de Direito é importante as instituições funcionarem cada uma no seu momento certo.”

A operação da Polícia Judiciária “Tempestade Perfeita” levou esta terça-feira à detenção de cinco pessoas, suspeitas de vários crimes de corrupção, abuso de poder, peculato e participação económica em negócio.

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Um dos detidos é Alberto Coelho, um alto quadro do Estado que liderou a Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional, durante seis anos. É ele o suspeito de ser o principal responsável por um esquema criminoso que terá lesado o Estado em milhões de euros e que consistia na adjudicação a empresas privadas de prestações de serviços por ajuste direito, desrespeitando as regras de contratação pública.

Em causa está a derrapagem de obras de adaptação do antigo Hospital Militar de Belém, rebatizado como Centro de Apoio Militar de Belém, para o tratamento de doentes Covid-19, que ascenderam aos 3,2 milhões de euros — a previsão inicial era de 750 mil euros.

Em julho de 2020, o então secretário de Estado Jorge Seguro Sanches ordenou uma auditoria, onde se concluía que existia de facto uma quadriplicação dos valores da obra.

Alberto Coelho seria depois afastado da direção-geral por Cravinho, mas o mesmo ministro acabaria por o nomear presidente da empresa de tecnologias de Defesa ETI (Empordef – Tecnologias de Informação).

Quando se tornaram públicos os detalhes do caso, o ministro foi confrontado com o caso e desfez-se em elogios a Alberto Coelho no Parlamento, argumentando que a ETI ia a ganhar com “os desafios que essa empresa tem e as qualidades do dr. Alberto Coelho. “O que está a ser promovido e entendido é o interesse publico”, explicou Gomes Cravinho.

À luz dessas declarações, o Chega já veio exigir a demissão do ministro. Também o PCP sugeriu que Gomes Cravinho devia retirara “ilações” sobre o que aconteceu.

Operação “Tempestade Perfeita”. Altos quadros da Defesa detidos por corrupção e buscas chegaram ao Ministério