Em termos meteorológicos chama-se ciclogénese explosiva. Numa linguagem mais direta, significa simplesmente que estes dias de primavera antecipada foram bons mas passaram depressa e vem aí de novo a invernia, com frio e neve já a partir desta quinta-feira. Não se preveem temperaturas tão geladas como as das semanas anteriores, mas as máximas vão baixar entre 5 e 8ºC, com a entrada abrupta de uma massa de ar polar marítima.

Começando pelo termo técnico, a tal ciclogénese acontece exatamente quando há uma descida muita acentuada da pressão atmosférica de uma depressão num curto intervalo de tempo. Neste caso, vai ser entre esta terça e quinta-feira.

Durante o feriado de Carnaval, as poeiras do deserto, que têm deixado os carros e as janelas manchados de lama, despedem-se da Península Ibérica. Continuará a haver períodos de chuva fraca (em alguns casos em forma de trovoada até meio da tarde) e as temperaturas vão começar a baixar. Tanto que já pode nevar na Serra da Estrela.

A chuva vai manter-se só no norte e centro na quarta e quinta-feira, mas o frio vai acentuar-se em quase todo o país: a única exceção será o Algarve, mas já não vai dar para ir à praia. E a partir de quarta é esperada neve não só no topo da Serra mais alta do país: a cota deve descer primeiro até aos 800 metros e depois para os 600. Além disso, haverá formação de gelo nas regiões do interior na quinta e sexta-feira, quando arrefecer ainda mais e o vento diminuir a sensação térmica.

Lisboa, que tem estado com 18ºC de máximas e 11ºC de mínimas, passa para 13ºC/5ºC; o Porto de 21ºC/10ºC para 13ºC/3ºC; Braga de 22ºC/6ºC para 13º/0ºC; e mesmo Faro baixará de 20ºC/12ºC para 14ºC/5º. Até nas ilhas, apesar de não arrefecer tanto, vai chover. Em resumo, os valores da temperatura máxima deverão baixar para valores entre 13 e 16ºC na região Norte e interior da região Centro. A temperatura mínima deverá apresentar valores entre 8 e 12°C no litoral e entre 5 e 8ºC no interior, sendo ligeiramente mais baixas, entre 2 e 6ºC, no interior Norte e Beira Alta.

A culpa desta mudança no tempo, a partir do dia 22, deve-se a um anticiclone situado no Atlântico Norte, a noroeste da Península Ibérica. O dito não só vai bloquear a passagem das tempestades pelas latitudes mais altas, como vai permitir a entrada de uma massa de ar polar marítima, muita fria, vinda do norte.

No fim de semana, esta massa de ar frio pode mesmo deslocar-se até ao Mediterrâneo e, ao encontrar à superfície com uma zona mais quente, acabar por gerar uma tempestade. É ainda muito cedo para fazer esta previsão, mas é por isso que quando se está perante este tipo de mapas meteorológicos lhes chamam ciclogéneses explosivas: pelo que delas pode surgir, várias depressões e tempestades.

Como o bloqueio no Atlântico Norte não se deve desfazer até aos primeiros dias de março, a Península Ibérica fica assim sujeita a que nos cheguem sucessivamente sistemas de baixas pressões.

Os cientistas falam de um enfraquecimento do vórtice polar (a massa de ar que circula continuamente à volta do(s) polo(s) e regula o clima — tema para outro dia), como o responsável pelo aparecimento destes anticiclones bloqueadores em latitudes mais altas do que o habitual. Isso ajuda a que estas massas de ar frio do Ártico cheguem muito mais facilmente às nossas paragens: não só esta semana, como nas que se seguem, ainda que nesta altura seja praticamente impossível prever como vai ser a próxima semana. Pode apenas dizer-se que deve haver chuva e manter-se o frio, ou seja, mantém-se a instabilidade meteorológica.

E assim, o inverno estará de volta. Se já tinha tirado para fora as camisas frescas e as t-shirts, é melhor voltar a colocá-las na gaveta e ir buscar novamente ao fundo do armário os sobretudos e as camisolas de gola alta.

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