Um primeiro salto a 14,13, uma segunda tentativa a 14,11, uma terceira tentativa que superou as anteriores a 14.41. Há três semanas, na Expocentro em Pombal, Patrícia Mamona queria sobretudo marcar os oito pontos do triplo salto nos Nacionais de Pista Coberta para o Sporting mas via nessa prova uma espécie de teste para perceber como estava tendo em vista os Europeus de Pista Coberta de 2023. A resposta foi “obviamente positiva”. “A preparação está um bocadinho atrasada devido a alguns problemas mas felizmente comecei da melhor forma. Correu bem, se calhar foi a minha melhor abertura de sempre em pista coberta”, destacou.

“Tenho os Campeonatos de Portugal e vou ver agora como o joelho reage depois da competição. Saltar até tenho conseguido saltar bem, mas, depois, sinto algumas dores. Não é nada de grave. Mas esqueci tudo, dei o meu melhor sem pensar noutra coisa e se o joelho não der nenhuma indicação estou preparada para ir aos Europeus”, acrescentou ainda nessa prova no primeiro fim de semana de fevereiro. Nos Nacionais, de forma natural, somou o décimo título fazendo quatro saltos acima dos 14 e terminando com 14,25 como melhor registo. No entanto, com aquele 14,41, Patrícia Mamona tinha igualado a melhor marca do ano da ucraniana Maryna Bekh-Romanchuk, que venceu os últimos Europeus ao Ar Livre. Mas ambicionava mais.

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Apesar de ter fechado o meeting de Madrid na semana passada com um terceiro lugar ligeiramente abaixo dos 14 metros (13,98), a confiança estava lá para a tentativa de revalidação do título ganho em Torun há dois anos, numa final emocionante onde bateu Ana Peleteiro e Neele Eckhardt por um centímetro (14,53-14,52). E era uma confiança a recordar também aquilo que à partida se pensava quase inalcançável mas que se tornou mesmo uma realidade em Tóquio, quando bateu o recorde nacional por mais de 30 centímetros passando a mítica fasquia dos 15 metros (ao Ar Livre). Para que marca apontava? Isso, e só isso, era “segredo”.

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“Não vou dizer, é sempre surpresa. Lembro-me de antes dos Jogos Olímpicos ter escrito que ia fazer 15 metros e saiu. Agora tenho escrito, é segredo, mas sei que estou a valer muito mais do que 14,53. Não vou revelar [a marca pretendida]. Estou à procura de timings, já provei que estava bem para os Campeonatos da Europa e quero saltar mais. Nos Europeus quero conseguir o recorde pessoal que acho que está para sair mas não está garantido, é o que estou à procura e vou lutar por isso. Tenho de estar preparada para saltar muito, tenho de me focar no que quero fazer e para lutar pelas medalhas tenho de estar bem e saltar para o meu recorde”, comentara à Lusa antes da qualificação e na véspera de Pedro Pablo Pichardo e Auriol Dongmo, os outros vencedores nacionais em 2021, terem assegurado presença nas suas finais.

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Essa surpresa, seja ela ou não alcançada, estará reservada para a final deste sábado. Para já, e partindo como uma clara favorita para o apuramento, Patrícia Mamona confirmou aquilo que todos esperavam e vai estar na luta pela sua quinta medalha em Europeus, depois do ouro (2016) e da prata (2012) ao Ar Livre e do ouro (2021) e do bronze (2017) em Pista Coberta, a que junta como ponto mais alto de uma carreira até agora aos 34 anos a prata alcançada nos Jogos de Tóquio com o tal salto onde superou os 15 metros. E nem foi preciso chegar sequer perto do que pode fazer: depois de uma primeira tentativa a 14,09, a um centímetro da passagem direta, a portuguesa teve um salto nulo e abdicou do terceiro por já estar qualificada.

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Além de Patrícia Mamona, ficaram também apuradas para a final deste sábado (16h50) Tugba Danismaz (Turquia, 14.09), Dariya Derkach (Itália, 13,98), Ottavia Cestonaro (Itália, 13,98), Kira Wittmann (Alemanha, 13.96), Neja Filipic (Sérvia, 13,96), Maja Askag (Suécia, 13,82) e Adrianna Laskowska (Polónia, 13,76).

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