O parlamento aprovou nesta sexta-feira por unanimidade um voto de pesar pelas vítimas do naufrágio em Itália, apelando a uma mobilização da comunidade internacional para evitar estas situações “através da abertura de rotas legais de migração que permitam mais segurança”.

No texto, da autoria do PSD, a Assembleia da República “expressa a sua mais profunda tristeza” pelo naufrágio ocorrido no passado domingo no sul de Itália, e que provocou a morte de 67 migrantes, manifestando “o seu mais sentido pesar” e “rápida recuperação a todos os feridos”

“(O parlamento português) apela a uma maior mobilização da comunidade internacional para evitar este tipo de acidentes através da abertura de rotas legais de migração que permitam mais segurança a todos os migrantes”, lê-se no texto aprovado por todas as bancadas.

Os sociais-democratas escrevem que “infelizmente, este é apenas mais um episódio na trágica demanda destes migrantes pelo sonho europeu”.

Naufrágio fatal em Itália vai ser investigado pelo Ministério Público. Número de mortos pode chegar a uma centena

“Explorados por redes de tráfico de pessoas, são lançados ao mar em condições desumanas, ficando, na maior parte das vezes, entregues à sua sorte e à completa mercê dos fatores climatéricos que levam ao naufrágio das frágeis embarcações em que procuram atingir as costas europeias”, lamentam.

Os deputados do PSD escrevem que “perante esta tragédia, o secretário-geral António Guterres e agências das ONU pediram urgência na criação de rotas mais seguras e legais para migrantes e, na verdade, tal como o próprio Secretário-Geral da ONU afirmou “qualquer pessoa em busca de uma vida melhor merece segurança e dignidade”.

O naufrágio, já sob investigação do Ministério Público italiano, ocorreu na madrugada de domingo passado, quando a barcaça de madeira que transportava entre 180 a 200 migrantes que tinham partido da Turquia, segundo os sobreviventes, afundou na costa da Calábria, num mar muito agitado.

Até agora, foram recuperados 67 corpos de várias nacionalidades, sobretudo afegãos, iranianos, paquistaneses e sírios, enquanto 80 migrantes conseguiram sobreviver. Os restantes, cujo número é ainda incerto, estão considerados desaparecidos.

Desde as primeiras horas após a morte, no domingo, dos migrantes em Crotone, sul da Itália, ONG e políticos da oposição acusaram a Guarda Costeira e o governo, que recentemente aprovou legislação com novas regras para as embarcações civis que resgatam migrantes no Mediterrâneo, de não querer salvar os náufragos.

A Guarda Costeira defende-se dizendo que a tragédia não era previsível, face às informações de que dispunha.