O governo britânico está “profundamente preocupado” com as notícias que dão conta de que há cada vez mais bancos a fechar contas de clientes que expressam opiniões “controversas” e estará mesmo preparado para lembrar à banca que deve conter estas medidas, em nome da liberdade de expressão.

Segundo escreve o Telegraph, o ministro das Finanças, Jeremy Hunt, já encomendou uma investigação, sendo que já corria outro inquérito sobre o facto de a PayPal ter, já este ano, bloqueado as contas de grupos que se apresentam como defensores da liberdade de expressão.

Além disso, o governo britânico está preparado para recomendar aos bancos que avisem os clientes com maior antecedência se quiserem fechar as suas contas e que forneçam mais informação sobre os motivos que levam a essa decisão.

Segundo fonte do Tesouro citada pelo jornal, esta é “absolutamente uma preocupação” do executivo nesta altura: “Ninguém devia ver a sua conta bancária fechada, por motivos de liberdade de expressão. Esperamos tomar iniciativas sobre este assunto nas próximas semanas”.

Um dos grupos cujas contas foram fechadas pela PayPal, contava o Telegraph na altura, criticava o que dizia ser o ensino da “teoria radical de género” nas escolas, tendo a empresa justificado que fez o melhor que pôde para equilibrar valores como tolerância, diversidade e respeito com os preceitos da liberdade de expressão e “diálogo aberto”.

Agora, acumulam-se relatos semelhantes: na semana passada, Nigel Farage, um dos principais líderes do movimento pró-Brexit, veio revelar que viu a sua conta bancária ser fechada. No Twitter, relatou o caso, suspeitando que seja consequência de “há alguns meses” ter sido acusado na Câmara dos Comuns por Chris Bryant, presidente da Comissão de Privilégios, de ter recebido dinheiro russo no passado.

Líder do movimento Brexit Nigel Farage diz que estão a tentar expulsá-lo do Reino Unido e lhe fecharam as contas bancárias

Depois disso, explicava no vídeo que publicou nessa rede social, o banco com que trabalhava desde os anos 1980 anunciou-lhe que as suas contas seriam fechadas e outros bancos recusaram abrir-lhe contas novas, o que levou Farage a queixar-se de “grave perseguição política” e de estar a ser “expulso” do país.

Já um responsável da Igreja Aglicana, Richard Fothergill, veio queixar-se de ter visto a sua conta fechada dias depois de se ter queixado ao seu banco, o Yorkshire Building Society, das mensagens que estava a enviar durante o mês que marca o Orgulho LGBTI+.