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A Rússia começou a produzir réplicas dos drones iranianos Shahed, equipamentos que têm vindo a usar desde o ano passado para atacar o território ucraniano. A informação consta do mais recente relatório do Conflict Armament Research (CAR), um grupo de pesquisa sediado no Reino Unido que acompanha há vários meses a evolução do conflito.

Os investigadores do CAR viajaram em julho para a capital ucraniana, onde inspecionaram os destroços de dois drones usados pelas forças russas no sudeste da Ucrânia. Inicialmente pareciam tratar-se de modelos iranianos Shahed-136, mas os especialistas notaram que continham componentes anteriormente recuperados de drones de vigilância com origem russa. Uma análise mais aprofundada permitiu compreender que os materiais usados na construção dos drones eram diferentes dos equipamentos iranianos.

“Esta nova versão vai permitir à Rússia manter os padrões de ataques e a sua dependência em drones de utilização única“, disse Damien Spleeters, o responsável à frente da investigação, ao New York Times. A produção doméstica é uma vantagem, destacou o especialista, numa altura em que a indústria de drones iraniana tem sido alvo de sanções devido à sua ligação à Rússia.

Conhecidos como drones kamikaze, uma vez que carregam uma carga explosiva, os Shahed começaram a ser usados pela Rússia em setembro do ano passado. Estes equipamentos podem carregar uma carga de cerca de 40 kg e têm um alcance de 900 km.

“Desde a sua introdução no conflito, os Shahed de uso único tornaram-se centrais na campanha da Federação Russa na Ucrânia”, escreve o CAR. A opção de ataque foi muito útil numa altura em que o Ocidente avançou com sanções para restinguir o acesso aos componentes necessários para a produção de veículos aéreos não tripulados, mas Moscovo parece estar a conseguir a dar a volta às restrições.

“As nossas descobertas levantam questões sobre o controlo de exportação e as medidas em vigor para combater o desvio de componentes, uma vez que vemos muitos produzidos depois de 22 de fevereiro“, disse ainda Damien Spleeters.

As versões russas dos Shahed estão a ser marcadas com o rótulo “Geran-2” ou “Geranium-2”, em russo. Esta nomenclatura já era usada em alguns dos Shahed-136 encontrados no território ucraniano. Os novos desenvolvimentos, avalia o CAR, mostram que a Rússia tem mais do que um caminho para manter os padrões de ataque.