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O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem manifestado uma atitude “arrogante” que está a provocar problemas na relação da Ucrânia com os países aliados, acusa um antigo conselheiro que saiu do gabinete de Zelensky, em janeiro, incompatibilizado com o Presidente. Para este antigo conselheiro, Oleksiy Arestovych, o Presidente ucraniano sofre de “delírios de grandeza” e isso está a gerar “irritação” entre os responsáveis europeus e demais parceiros da Ucrânia.

Numa entrevista ao jornal polaco Dorzeczy.pl, este antigo conselheiro do gabinete acusa Volodymyr Zelensky de “acreditar que manda no mundo“. Muito crítico do Presidente ucraniano, Arestovych demitiu-se em janeiro depois de ter estado na origem de uma controvérsia inoportuna para a Ucrânia: um sistema de defesa anti-aéreo ucraniano tinha abatido o míssil russo Kh-22, que atingiu um prédio residencial em Dnipro num ataque que matou 44 pessoas.

Horas depois do ataque, Arestovych fez um comentário em que conjeturou que o míssil russo teria caído em cima do edifício depois de ser abatido pelas tropas ucranianas. Esta declaração contrastava com a versão oficial de Kiev e levantou uma onda de protestos pelo país, além de ser aproveitada pelos propagandistas pró-russos. A demissão tornou-se inevitável e agora, nove meses depois desse incidente, Arestovych decidiu dar uma entrevista a um jornal polaco onde retrata Zelensky como alguém que “está convencido que manda no mundo“.

O Ocidente está cada vez mais irritado com a arrogância da Ucrânia“, diz o antigo conselheiro presidencial, explicando que essa “arrogância” está relacionada com o que Arestovych diz ser uma atitude de chantagem moral em que a Ucrânia insiste em que está a combater para salvar o Ocidente. Essa ideia foi eficaz no início do conflito, mas está a perder eficácia, considera o antigo conselheiro de Zelensky.

Conselheiro de Zelensky demite-se por causa de comentário controverso sobre míssil russo em Dnipro

Em concreto, Arestovych afirma que está a gerar-se tensão entre a Ucrânia e aliados muito importantes como a Polónia e a Roménia. E também existe, na opinião do ex-conselheiro, um “arrefecimento” das relações com os EUA e com o Reino Unido. Tudo por causa da forma como Volodymyr Zelensky lida com estes parceiros, acusa Oleksiy Arestovych, admitindo que possa chegar um dia em que, apesar de continuarem a apoiar a Ucrânia, estes parceiros podem, simultaneamente, começar a apoiar uma mudança na liderança política ucraniana.