O Ministério Público francês pediu esta segunda-feira a pena máxima de 20 anos de prisão para Dominique Pelicot por ter, ao longo de uma década, drogado, violado e mandado violar a sua mulher, Gisèle Pelicot, por dezenas de desconhecidos.
“Isto é ao mesmo tempo muito [tempo] e muito pouco. Muito pouco, tendo em conta a gravidade dos atos cometidos e repetidos”, insistiu uma das duas representantes da acusação, Laure Chabaud, na abertura das alegações finais perante o tribunal penal de Vaucluse, em Avignon, no sudeste de França.
Para o Ministério Público francês, o que está em causa neste processo de múltiplas violações a Gisèle Pelicot de 71 anos, pelo seu agora ex-marido e por dezenas de homens recrutados na Internet entre 2011 e 2020, é “mudar fundamentalmente as relações entre homens e mulheres”.
“Este processo abalou a nossa sociedade em termos da nossa relação com os outros, em termos das relações mais íntimas entre os seres humanos”, afirmou Jean-François Mayet, acrescentando que o que está em causa não é apenas “uma condenação ou uma absolvição”.
O procurador assinalou ainda que esta segunda-feira se assinala o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres e disse que a França enfrenta “um longo caminho para que a sociedade mude a sua visão sobre a cultura da violação”.
Arguido que violou a própria mulher com método de Pelicot enfrenta pena de prisão de 17 anos. Procuradores franceses pedem 10 anos para vários co-arguidos
A acusação pronunciou-se também a favor de uma pena de dezassete anos de prisão contra Jean-Pierre M., o único co-arguido, de um total de 50, a não ser acusado de agressão sexual contra Gisèle Pelicot, mas sim contra a própria esposa.
Segundo a acusação, foi encorajado pelo principal arguido a usar o mesmo método e as mesmas drogas para deixar a mulher inconsciente, através do fórum online em que Pelicot recrutava agressores sexuais para violar Gisèle Pelicot. Tanto Jean-Pierre M. como Dominique Pelicot violaram esta segunda vítima.
Esta segunda-feira, os representantes do Ministério Público começaram a revelar os pedidos de condenação para vários outros co-arguidos, sendo que a sessão de alegações finais irá prosseguir nos próximos dois dias. Segundo o Le Monde, Joseph C., de 69 anos, será o único arguido a não ser condenado por violação, uma vez que não conseguiu consumar o ato. Os procuradores franceses pedem, neste caso, quatro anos de prisão.
Para vários arguidos, incluindo Didier S., de 68 anos, Hugues M., de 39 anos e Saifeddine G., de 36 anos, foi pedida uma pena de prisão de dez anos.