O Presidente francês aceitou o pedido de demissão do primeiro-ministro, apresentado na sequência de a Assembleia Nacional ter aprovado uma moção de censura que derrubou o executivo na noite de quarta-feira. Emmanuel Macron recebeu Michel Barnier no Palácio do Eliseu ainda não eram 10h (horas locais), para que formalizasse o pedido, conforme determina a Constituição.
“O primeiro-ministro submeteu a resignação do seu governo ao Presidente da República, que a aceitou”, anunciou a presidência em comunicado. “Os membros do governo vão assegurar um executivo de gestão até à nomeação de um novo governo”, destaca.
O encontro durou pouco mais de uma hora, relata a imprensa francesa. À saída, Barnier trocou algumas palavras com o secretário da Presidência, mas não fez declarações aos jornalistas antes de regressar a Matignon, a residência oficial do primeiro-ministro. Macron, por sua vez, falará ao país às 20h (19h em Portugal Continental). Contudo, o Presidente não vai utilizar esta intervenção para anunciar quem vai nomear para primeiro-ministro, avançaram fontes próximas de Macron ao Le Figaro.
Ao longo desta quinta-feira, Macron vai ainda receber no Eliseu a presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, e o presidente do Senado, Gérard Larcher. O Presidente vai almoçar com François Bayrou, um dos nomes apontados por fontes próximas da presidência como possível substituto de Barnier, avança o Le Figaro. Bayrou é fundador e líder do Movimento Democrático (MoDem), partido de centro que faz parte da coligação Ensemble e aliado macronista de longa data. Passou brevemente pela pasta da Justiça em maio de 2017 e sempre declarou que não recusaria um convite para primeiro-ministro.
Sébastien Lécornu, ministro da Defesa e outro dos nomes avançados para ocupar Matignon, garantiu em entrevista à RTL que “não é candidato a nada”. Os partidos também já se posicionaram sobre a escolha de um novo nome. O líder parlamentar dos Republicanos, Laurent Wauquiez, afirmou que “não vão derrubar o próximo governo”, mesmo que não façam parte dele — Barnier pertence aos Republicanos.
Já a líder dos deputados da formação de extrema-esquerda França Insubmissa (LFI, sigla em francês), Mathile Panot, avisou que o seu partido iria “certamente” vetar na Assembleia Nacional qualquer primeiro-ministro que não seja da aliança Nova Frente Popular (NFP), que reúne ecologistas, socialistas, comunistas e a esquerda radical.
“Se Macron estiver numa fase provocatória, sofrerá as consequências”, afirma Marine Le Pen
Uma hora antes de Macron falar ao país, a líder da União Nacional deu uma entrevista ao canal CNews em que defendeu a moção de censura e reafirmou que a extrema-direita vetará qualquer nome da Nova Frente Popular, a coligação de esquerda.
“Se não é respeitável votar numa moção de censura, então o General de Gaulle não foi respeitável ao incluí-la na Constituição”, atirou Marine Le Pen, justificando o voto da União Nacional como um ato político. Le Pen afirmou que Barnier não estava a ceder nas propostas de Orçamento que apresentou, que atacavam o povo francês. “Só havia uma possibilidade: deitar abaixo o Orçamento”, argumentou.
Já a nomeação de um primeiro-ministro à esquerda seria “uma provocação”. “Opomo-nos a um ministro da esquerda. Se Emmanuel Macron estiver numa das suas fases provocatórias, irá sofrer as consequências”, avisou.