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Um responsável local da Transnístria alertou, esta quarta-feira, de que aquele território separatista pró-russo da Moldova enfrenta uma situação de “crise energética” e de “crise humanitária”, uma semana após o corte do fornecimento de gás russo.

O pequeno território, que tem oficialmente menos de meio milhão de habitantes, está fora do controlo das autoridades moldovas desde uma guerra em 1992, após o desmoronamento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Até agora, a gigante russa Gazprom abastecia a Transnístria através do fornecedor local Tiraspoltransgaz, sem que esta empresa pagasse por esse abastecimento. A entidade secessionista enviava os pedidos de pagamento para Chisinau, fazendo gradualmente aumentar a dívida da Moldova à Gazprom.

O conflito em torno da dívida à Gazprom — avaliada por Moscovo em mais de 700 milhões de dólares (680 milhões de euros), mas estimada por Chisinau em cerca de nove milhões de dólares (8,7 milhões de euros) — levou a Rússia a fechar a torneira a partir de 1 de janeiro deste ano, em pleno inverno.

Após corte de gás russo e com falhas energéticas, região pró-russa da Transnístria recusa compras ao Ocidente

Desde então, as autoridades da Transnístria tiveram de impor cortes de energia elétrica e suspender o funcionamento de muitas indústrias.

Numa reunião realizada esta quarta-feira, o responsável local encarregado das questões económicas, Serguëi Obolonik, afirmou que o pequeno território se encontra mergulhado numa “crise energética, mas também humanitária”.

Segundo Obolonik, 13 milhões de metros cúbicos de gás foram reservados antes do corte e eram ainda suficientes para abastecer algumas infraestruturas e os fogões a gás das cozinhas dos imóveis de habitação. Mas essa reserva só durará 24 dias, acrescentou.

A crise fez-se acompanhar de uma subida a pique do consumo de eletricidade, uma vez que, para compensar o corte do gás, os habitantes estão a utilizar aquecedores elétricos individuais, explicou Obolonik.

A Transnístria tem uma única central térmica, com capacidade limitada, a de Cuciurgan. Para impedir o sobreaquecimento da central, as autoridades impuseram na semana passada dois cortes de eletricidade diários, de quatro horas cada um.

As autoridades separatistas propuseram, esta quarta-feira, que algumas fábricas que foram encerradas possam voltar a funcionar durante a noite, quando o consumo de eletricidade é mais baixo, e disseram estar a trabalhar nesse sentido.

Por enquanto, o resto da Moldova está a ser poupado aos cortes, em especial graças à ajuda da vizinha Roménia e depois de ter tomado medidas drásticas para reduzir o consumo energético.