Os ventos de Santa Ana, fenómeno meteorológico que ocorre habitualmente nos meses de inverno na região da Califórnia (EUA), estão a contribuir decisivamente para que continuem fora de controlo os fortes incêndios que estão esta semana a afetar a cidade de Los Angeles, naquele estado norte-americano.
Na terça-feira, mais de 30 mil pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas na sequência dos fogos — que já consumiram milhares de hectares da cidade e já causaram a morte a pelo menos duas pessoas. O rápido avanço das chamas sobre a área urbana está a provocar forte destruição em edifícios e linhas elétricas.
Com origem em zonas suburbanas de Los Angeles, pelo menos três focos de incêndio ganharam enormes dimensões e as chamas avançaram sobre a cidade, estando ainda longe de terem os seus perímetros controlados. Além das duas vítimas mortais, há registos de um grande número de feridos — e de uma forte disrupção na vida da cidade, com escolas encerradas, voos desviados e vários eventos ligados ao cinema, em Hollywood, cancelados ou adiados.
Como explica o The New York Times, na origem da situação de caos em Los Angeles estão três ignições distintas.
A primeira ocorreu numa zona florestal junto ao bairro costeiro de Palisades, na zona ocidental de Los Angeles. Esse foco de incêndio, que só na tarde de terça-feira duplicou de tamanho em apenas três horas, já tinha consumido mais de 1.100 hectares de território.
Ao mesmo tempo, deflagrou um foco de incêndio na zona de Eaton Canyon, nas montanhas de São Gabriel, na zona oriental de Los Angeles, que na última noite já tinha consumido mais de 400 hectares. Por fim, a norte da cidade, um outro incêndio suburbano já tinha consumido mais de 40 hectares.
As autoridades acreditam que mais de 10 mil casas estejam sob ameaça dos incêndios que estão a avançar sobre a cidade.
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A explicar esta situação caótica está a coincidência de vários fatores: um inverno seco e os fortes ventos que marcam esta altura do ano. Os meteorologistas, de resto, já tinham alertado para os rápidos ventos que se esperavam para esta semana — que podiam chegar mesmo aos 160 km/h em algumas zonas montanhosas.
Depois de invernos bastante chuvosos em 2022 e 2023, a vegetação nas zonas à volta de Los Angeles pôde crescer significativamente. Em sentido contrário, o inverno seco de 2024 fez com que essa vegetação de grandes dimensões ficasse seca — e, por isso, se tornasse pasto fácil para as chamas.
Esta altura do ano é, simultaneamente, marcada pelos ventos de Santa Ana, um fenómeno meteorológico que, quando ocorre em invernos mais secos, favorece consideravelmente a probabilidade de incêndios na Califórnia.
Trata-se de um fenómeno bem conhecido dos norte-americanos, ocorrendo nos meses mais frios. “Ventos de Santa Ana” é o nome dado aos ventos secos e quentes com origem nas zonas desertas dos estados do Nevada e do Utah — e que se dirigem a altas velocidades na direção da Califórnia.
Em declarações ao The New York Times, o diretor do Instituto de Ambiente e Sustentabilidade da Universidade da Califórnia, Alex Hall, explicou que este fenómeno meteorológico acontece fundamentalmente nos meses mais frios, quando se intensificam os sistemas de baixa e alta pressão nas latitudes médias do hemisfério norte.
Quando um sistema de alta pressão se situa na região conhecida como a Grande Bacia — uma zona montanhosa, árida e deserta situada nos estados do Nevada e Utah —, são criados fortes ventos quentes e secos rumo à Califórnia.
Estes ventos cíclicos, quando conjugados com períodos cada vez mais secos (em grande parte devido ao aquecimento global), formam as condições ideais para que disseminar rapidamente qualquer foco de incêndio que deflagre nas regiões em torno de Los Angeles.