O chef Ljubomir Stanisic foi um dos 27 arguidos a serem identificados no início do julgamento do caso “Dupla Face”, na manhã desta quinta-feira, no Tribunal Central Criminal. O processo está relacionado com uma rede de tráfico de droga que envolve, alegadamente, dois agentes da PSP — a estrela dos programas “Pesadelo na Cozinha” e “Hell’s Kitchen” foi apanhada numa escuta a um desses polícias. Mas a sua acusação está relacionada com uma viagem durante a pandemia de Covid-19.

Questionado pela juíza se tinha conhecimento dos factos pelos quais é indiciado, limitou-se a responder :  “Não faço parte deste processo, mas conheço os factos.”

Tudo aconteceu em abril de 2020, altura em que o país estava em Estado de Emergência. Na altura, tinham sido impostas restrições à circulação e Ljubomir Stanisic terá, alegadamente, recorrido ao agente Nuno Marino para furar uma operação STOP, na ponte 25 de Abril. A motivação: Stanisic queria passar a Páscoa em Grândola, local onde tem uma casa. Embora no dia da viagem não houvesse nenhuma operação STOP, o agente terá escoltado o cozinheiro a passar a ponte. “Um favor” que o Ministério Público acredita que foi pago com duas garrafas de rum ou de conhaque.

Estes factos levaram o Ministério Público a acusar Stanisic de corrupção ativa e desobediência por, alegadamente, ter desrespeitado o impedimento policial. Estas acusações foram ainda assim integradas no caso que, supostamente, liga dois agentes da PSP – um deles, o referido Nuno Marino – a esta rede de tráfico de droga que usava restaurantes na baixa de Lisboa  para guardar estupefacientes.

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Em 2021, na fase de instrução, o juiz Ivo Rosa decidiu despronunciar Ljubomir Stanisic, por considerar que não existiam indícios suficientes que provassem o envolvimento do chef nesta suposta rede de tráfico de droga. Ainda assim, o cozinheiro senta-se, esta quinta-feira, no banco dos réus depois do Ministério Público ter recorrido da decisão de Ivo Rosa. Um pedido a que o Tribunal da Relação acabou por aceder ao decidir levar os 27 arguidos a julgamento.

Nesta primeira sessão do julgamento, Ljubomir Stanisic não quis prestar declarações, aconselhado pelo advogado. Foi dispensado da sessão da tarde. Mas ainda deverá voltar ao Campus de Justiça: estão previstas no total, 12 sessões. A última sessão está agendada para março.