A primeira sessão do julgamento do segundo processo de Rui Pinto, que arrancou esta segunda-feira em Lisboa, terminou menos de uma hora depois de ter começado, uma vez que o criador do Football Leaks se recusou a prestar declarações no processo onde está acusado de 242 crimes relacionados com o acesso a emails do Benfica e de outras entidades.
“Neste momento não pretendo prestar declarações“, afirmou Rui Pinto, citado pelo Correio da Manhã. Rui Pinto apresentou-se em tribunal sem colete à prova de bala, pela primeira vez, ainda que estivesse a ser protegido por três elementos do Corpo de Segurança Pessoal da PSP, segundo descreve o Correio da Manhã.
Rui Pinto vai responder em julgamento por 201 crimes de acesso ilegítimo qualificado, 23 crimes de violação de correspondência agravados e 18 crimes de dano informático.
Além do Benfica, entre as figuras e instituições visadas encontram-se também outros clubes, Liga, empresas, sociedades de advogados, juízes, procuradores, Autoridade Tributária e Rede Nacional de Segurança Interna.
A defesa do Benfica sublinhou, perante o coletivo de juízes, que Rui Pinto admite a generalidade dos crimes. “O arguido não admite todos os crimes, mas admite o essencial. Qualifica os atos que praticou como ilegais e condenáveis”, afirmou o advogado Rui Patrício, que classificou Rui Pinto como “alguém que se dedicou a pôr em causa a segurança informática, a privacidade”. Recusando a tese de que o criador do Football Leaks seja um denunciador, o advogado acusou Rui Pinto de não ser “nem menos do que um assaltante de domicílios informáticos“.
Já o advogado de Rui Pinto defendeu que o arguido não se moveu por razões clubísticas e recordou que o FC Porto também teve documentos graves expostos. Francisco Teixeira da Mota considerou ter “havido vantagens para a sociedade” com as revelações feitas pelo arguido, lembrando o papel de Rui Pinto no caso Luanda Leaks, “Queremos provar que as ações tiveram um aspeto positivo, que aquilo que fez teve vantagens para a sociedade” afirmou o advogado, classificando o arguido como um denunciante.
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O criador do Football Leaks foi pronunciado para julgamento em março passado, com o Tribunal Central de Instrução Criminal a amnistiá-lo de 134 crimes de violação de correspondência, com base na aplicação da lei da amnistia aprovada em 2023, durante as Jornadas Mundiais da Juventude, uma vez que os crimes que são imputados foram alegadamente praticados antes de ter completado 30 anos.
Julgamento do segundo processo contra Rui Pinto arranca em 13 de janeiro
Rui Pinto foi condenado no caso ‘Football Leaks’, em setembro de 2023, pelo Juízo Central Criminal de Lisboa, a quatro anos de prisão com pena suspensa, por crimes de extorsão na forma tentada, violação de correspondência agravado e acesso ilegítimo.
Em novembro de 2023, foi também condenado a seis meses de prisão em França, com pena suspensa, por aceder ilegalmente a emails do Paris Saint-Germain.