Três artigos publicados esta quarta-feira nas revistas Nature e Nature Communications revelaram que a sabotagem dos gasodutos russos Nord Stream 1 e 2, em setembro de 2022, resultou na maior fuga de metano alguma vez registada, e causada pelo Homem, emitindo para a atmosfera cerca de 465 mil toneladas métricas, mais do dobro do que se calculava.

“A curto prazo, as fugas do Nord Stream contribuíram tanto para o aquecimento global como oito milhões de carros conduzidos [em média] durante um ano”, explicou o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), citado no El País.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores utilizaram dados atmosféricos, imagens satélite, observações marinhas, medições aéreas e estimativas de engenharia sobre a quantidade de metano dissolvido no Báltico e a quantidade que escapou para a atmosfera. Das quase 500 mil toneladas que o sistema de gasodutos continha no momento das explosões, a grande maioria acabou na atmosfera.

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Segundo os autores da investigação, isto deve-se à pouca profundidade a que as ruturas ocorreram, entre 70 e 80 metros, o que “permitiu que as plumas subissem rapidamente através da coluna de água, levando a que só se dissolvesse uma pequena fração do metano total libertado pelos tubos”. Como resultado, a maior parte das fugas acabou por se acumular no ar, contribuindo ainda mais para o aquecimento global.

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“Embora, tanto quanto sabemos, represente a maior quantidade registada de metano libertado por um único evento pontual, é equivalente a 0,1% das emissões antropogénicas de metano em 2022″, acrescentam, uma vez que o problema continua nas emissões de metano provenientes da pecuária, nas fugas diárias e na ventilação deliberada da indústria fóssil nos campos de petróleo, nos campos de gás e nas minas de carvão.

A sabotagem dos dois gasodutos que ligam a Rússia à Alemanha e transportavam a maior parte do gás russo para a Europa ocorreu em 26 de setembro de 2022, sete meses depois da invasão russa da Ucrânia.

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Quatro fugas de gás, precedidas de explosões subaquáticas, ocorreram com poucas horas de intervalo nos dois gasodutos, que não estavam em funcionamento na altura.

A Rússia já tinha deixado de fornecer gás através do Nord Stream 1, no contexto de um conflito energético com os países europeus que apoiam a Ucrânia, e o Nord Stream 2 nunca entrou em funcionamento. Apesar de não estarem operacionais, os dois gasodutos operados por um consórcio do gigante russo Gazprom estavam cheios de gás.