Pelo menos um cidadão com nacionalidade portuguesa integra a lista de 33 reféns israelitas que deverão ser libertados na primeira fase de implementação do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas.
O jornal israelita The Times of Israel divulgou esta sexta-feira os nomes dos 33 reféns que vão ser libertados nesta primeira fase — mulheres, crianças, idosos e doentes — e cujas famílias o governo israelita já notificou.
Os reféns que constam desta lista vão ser libertados ao longo do período de 42 dias da seguinte forma: três no primeiro dia, quatro no sétimo dia, três por semana durante quatro semanas e 14 na última semana. O primeiro grupo de reféns deverá ser libertado às 16h de domingo: serão inicialmente entregues pelo Hamas à Cruz Vermelha, que os transportará para o Egipto, onde haverá uma delegação israelita à espera. Dali, vão ser levados para Israel.
Da lista consta o nome de Ofer Calderon, de 54 anos, um cidadão israelita que em 2023 requereu a nacionalidade portuguesa ao abrigo da legislação que permite a naturalização dos descendentes de judeus sefarditas (expulsos de Portugal no século XV).
O Governo português acelerou o processo de naturalização de Ofer Calderon na esperança de o refém poder ser libertado ao abrigo de um eventual acordo para a libertação de reféns com dupla nacionalidade.
Calderon foi raptado em 7 de outubro de 2023 pelo Hamas juntamente com dois dos seus filhos menores (Sahar, de 16 anos, e Erez, de 12) no ataque do grupo terrorista ao kibutz Nir Oz, que resultou na morte de mais de 100 pessoas.
Os filhos seriam libertados em novembro desse ano no âmbito de uma primeira trégua negociada pelo Qatar e pelos EUA, mas Ofer manteve-se na Faixa de Gaza.
Na lista estão ainda os nomes de dois outros reféns que, de acordo com o Diário de Notícias, também têm ligações a Portugal: Or Levy e Tsahi Idan.
Or Levy foi raptado no festival de música Supernova, no deserto israelita, juntamente com a sua mulher, Eynav Levy. Estavam numa viagem familiar ao festival e tinham acabado de chegar à região quando se deu o ataque do Hamas. Eynav viria a morrer e Or Levy continua desde então em cativeiro.
Na altura, o vídeo que mostra o momento em que Or, Eynav e um outro jovem tentam escapar ao Hamas foi amplamente divulgado na comunicação social.
Outro refém com ligações a Portugal é, segundo aquele jornal, Tsahi Idan, de 50 anos. Foi raptado quando estava na sua casa, no kibutz Nahal Oz, com a família. No ataque, a filha mais velha de Tsahi, Maayan, foi morta pelos terroristas.
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Entretanto, fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal confirmou à Agência Lusa estas informações. “Até este momento, com a informação disponível, temos um cidadão com nacionalidade portuguesa e dois com ligações ou eventuais ligações a Portugal confirmados na lista de reféns”, disse aquela fonte.
Entre os reféns que vão ser libertados contam-se ainda Romi Gonem, uma jovem de 23 anos raptada no festival Supernova, cuja mãe tem sido uma voz ativa na luta pela libertação dos reféns.
Emily Damari, de 27 anos, uma israelita com dupla nacionalidade britânica, foi raptada no kibutz Kfar Aza e será também libertada na primeira fase, à semelhança de Arbel Yehud, de 28 anos, igualmente raptada na sua casa.
A veterinária Doron Steinbrecher, de 30 anos, raptada quando os terroristas do Hamas invadiram a sua casa Kfar Aza, também consta da lista.
A lista inclui ainda quatro elementos da mesma família: Shiri Sillberman Bibas (33 anos), o seu marido Yarden Bibas (35 anos) e os seus dois filhos, Ariel (5) e Kfir (2).
Esta família já tinha surgido nas notícias no final de 2023, quando houve um apelo à libertação de Kfir, então um bebé com apenas 10 meses. Na altura, o Hamas disse que o bebé tinha morrido num bombardeamento israelita juntamente com o irmão e a mãe.
A lista divulgada pelo Hamas não tem a indicação de quantos destes reféns se encontram vivos.
Outra das reféns que surgem na lista é Liri Albag, de 19 anos, jovem que surgiu um vídeo divulgado pelo Hamas no início do mês e cuja família se reuniu com Netanyahu.
Também na lista está o nome de Karina Ariev, uma jovem de 19 anos raptada pelo Hamas no dia 7 de outubro cujos pais viriam, mais tarde, a identificar como sendo uma das jovens mulheres deitadas num jipe e levadas pelos militantes do Hamas num vídeo divulgado na internet.
Agam Berger, de 21 anos, foi raptada pelo Hamas quando estava em casa e surgiu em vídeos divulgados pelo grupo extremista no momento em que era arrastada, ainda de pijama, para um carro do grupo.
Situação semelhante foi vivida pela família de Daniella Gilboa, de 20 anos, que reconheceu a jovem pela t-shirt com que apareceu num vídeo divulgado pelo Hamas, e pela família de Naama Levy, também de 20 anos, que reconheceu a jovem num vídeo do Hamas, de mãos atadas, ensanguentada e a ser arrastada pelo cabelo para cima de uma carrinha de caixa aberta. Também elas constam da lista.
Entre os reféns a ser libertados na primeira fase do acordo está também Ohad Ben Ami, um cidadão de 58 anos com nacionalidade israelita e alemão, que foi raptado com a sua mulher, Raz Ben Ami, da sua casa no kibutz Be’eri. A mulher foi libertada na primeira troca de reféns, em novembro de 2023.
Gadi Moshe Mozes, um agricultor de 80 anos que foi raptado juntamente com a sua mulher — cujo corpo foi depois encontrado —, e o cidadão norte-americano Keith Siegel, de 64 anos, levado para a Faixa de Gaza pelo Hamas no seu próprio carro, também constam da lista.
A imprensa israelita relata ainda as histórias dos raptos de vários outros reféns que constam da lista.
Eli Sharabi, de 52 anos, foi levado pelo Hamas numa carrinha de caixa aberta depois de um ataque contra a povoação onde vivia, juntamente com a sua mulher, Lianne, e as suas filhas, Noiya e Yahel. Eli foi mantido em cativeiro; uma semana depois, foram identificados os corpos da mulher e das filhas.
Itzik Elgarat, de 70 anos, foi levado pelo Hamas durante um ataque contra a sua casa, no kibutz Nir Oz. Elgarat refugiou-se num abrigo em sua casa e manteve-se ao telefone com o irmão, que ouviu tudo à distância. O homem chegou mesmo a despedir-se do irmão segundos antes de ser raptado.
Aos 86 anos, Shlomo Mansour, de nacionalidade iraquiana, foi raptado quando militantes do Hamas entraram na sua casa, numa zona de fronteira junto à Faixa de Gaza.
Ohad Yahalomi, de 50 anos, foi raptado, mas não sem antes tentar resistir aos elementos do Hamas que lhe atacaram a casa. Yahalomi ficou à porta, com uma arma, preparado para defender a casa, e envolveu-se num tiroteio. Acabou ferido numa perna. A mulher e as filhas também foram raptadas, mas conseguiram fugir.
Entre os reféns conta-se também Oded Lifshitz, de 84 anos, um homem conhecido na região fronteiriça por ser um defensor da convivência pacífica entre palestinianos e israelitas — e costumava até ajudar palestinianos de Gaza com problemas de saúde a terem cuidados médicos em hospitais de Israel, transportando-os até ao hospital.
Na lista está também o nome de Hisham al-Sayed, um caso diferente dos outros reféns: terá ficado em cativeiro do Hamas em 2015, quando entrou voluntariamente na Faixa de Gaza. A família diz que Sayed tem problemas de saúde mental e o Hamas manteve-o em cativeiro durante vários anos com esperança de o usar num acordo para troca de prisioneiros. Em 2022, foi divulgado um vídeo que mostrava Sayed com uma máscara de oxigénio e o Hamas revelou que a saúde do refém estava a deteriorar-se.
Avera Mengistu, de 38 anos, também se encontra numa situação semelhante: foi raptado em 2014 pelo Hamas quando atravessou a fronteira e entrou na Faixa de Gaza. Durante dez anos, a família multiplicou-se em apelos ao governo e a organizações internacionais para que facilitassem a sua libertação. Está agora na lista de reféns a ser libertados.
Com 36 anos, Sagui Dekel-Chen foi um dos israelitas do kibutz Nir Oz que testemunhou o início do ataque e conseguiu dar o alerta para que muitos dos residentes se pudessem esconder. É também um dos nomes da lista. Yair Horn, de ascendência argentina, vivia no mesmo kibutz e foi raptado nesse dia — numa povoação onde cerca de um quarto dos residentes foram mortos ou raptados. Também em Nir Oz vivia Sasha Trufanov, um israelita de origem russa que também consta da lista. A mãe e a avó de Trufanov foram libertadas pelo Hamas na sequência de um pedido de Vladimir Putin.
Omer Wenkert, de 22 anos, estava no festival Supernova quando foi raptado no ataque do Hamas, que resultou na morte de 360 festivaleiros. Mais tarde, surgiram imagens de Wenkert amarrado numa carrinha de caixa aberta. Segundo a família, o refém tem uma doença autoimune — estando possivelmente na quota dos reféns doentes que vão ser libertados.
No mesmo festival estava Eliya Cohen, de 26 anos, que tentou esconder-se, com a sua mãe, Sigi, sob uma pilha de cadáveres de vítimas mortais do ataque. Fingindo-se de morto, tentou escapar ao Hamas — mas os elementos do grupo extremista encontraram-no e arrastaram-no para Gaza.
O jovem Omer Shem-Tov também estava no festival Supernova quando foi raptado pelo Hamas no seu próprio carro, juntamente com um amigo. Os pais testemunharam o rapto em tempo real quando Omer, em pânico, partilhou com eles a sua localização através do telemóvel.
Tal Shoham, de 39 anos, foi raptado juntamente com a mulher, os filhos e a sogra. A família foi libertada em novembro de 2023 durante um cessar-fogo temporário — e Shoham foi o único a manter-se em cativeiro.