O Fundo de População da Organização das Nações Unidas (UNFPA) disse esta terça-feira que necessita de 7,2 milhões de dólares (6,9 milhões de euros) para apoiar Moçambique, após a passagem do ciclone Chido.

O ciclone afetou sobretudo a província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, há cerca de um mês, provocou pelo menos 120 mortos, afetou 450 mil pessoas e danificou “mais de 40% dos hospitais” locais, sendo que “mais de 12 mil mulheres grávidas perderam o acesso aos cuidados de saúde”, de acordo com informação divulgada pela agência da ONU.

“Atuando em parceria com o governo, a agência pretende apoiar mulheres e meninas vítimas. A comunidade precisa de abrigos, alimentos e ainda de apoio médico e psicossocial de longo prazo”, reconhece o UNFPA.

“Juntamente com o Governo de Moçambique, o UNFPA está a solicitar 7,2 milhões de dólares para apoiar as mulheres e raparigas afetadas pelo ciclone Chido”, acrescenta a informação.

O ciclone tropical intenso Chido, de nível 3 (numa escala de 1 a 5), atingiu a zona costeira do norte de Moçambique na madrugada de 14 de dezembro, enfraquecendo depois para tempestade tropical severa, continuando, nos dias seguintes, a fustigar as províncias no norte de Moçambique com “chuvas muito fortes acima de 250 mm [milímetros]/24 horas, acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas muito fortes”, segundo o Centro Nacional Operativo de Emergência.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

Entretanto, pelo menos 11 pessoas morreram e quase 20 mil casas ficaram destruídas na sequência da passagem de um novo ciclone tropical pelo norte de Moçambique, o Dikeledi, que afetou a província de Nampula.

Onze mortos e quase 20 mil casas destruídas no norte de Moçambique pelo ciclone Dikeledi

De acordo com um relatório do Instituto Nacional de Gestão de Risco de Desastres (INGD), com dados preliminares até sábado, a passagem daquele ciclone afetou 249.813 pessoas, num total de 49.412 famílias, com registo de 27.470 casas parcialmente destruídas e 19.751 totalmente destruídas, além de 95 casas inundadas e 44 unidades sanitárias afetadas.

Havia no sábado 2.316 pessoas deslocadas em três centros de acomodação na província.

O balanço do INGD apontava igualmente para 129 escolas afetadas pelo ciclone, nomeadamente 371 salas de aula e por consequência 807 professores, mas também 67 quilómetros de estrada, 115 embarcações danificadas e 2.278 postes de média tensão tombados.

O Dikeledi foi o segundo ciclone tropical a atingir o norte de Moçambique no espaço de um mês.