Miguel Coelho, presidente da Junta de freguesia de Santa Maria Maior, instou esta terça-feira o autarca de Lisboa Carlos Moedas a “fazer o que ainda não fez até agora” para aumentar a segurança em Lisboa, através, nomeadamente, do “aumento da iluminação” em certos pontos da cidade e da “instalação de câmaras de vigilância”. O autarca, cuja Junta de Freguesia tutela o bairro da Mouraria e a Praça do Martim Moniz — área que se tem tornado o campo de batalha do debate imigração/segurança —, admitiu que “há zonas onde, de facto, as coisas não estão bem”.
Criminalidade em Lisboa regista a segunda maior descida dos últimos 10 anos
Em entrevista à Rádio Observador, o socialista reagiu aos dados provisórios da PSP, avançados esta terça-feira pelo Diário de Notícias, que mostram que em 2024 se verificou a segunda maior descida da criminalidade em Lisboa, na última década. Não pondo em dúvida que os números “espelham a realidade”, Coelho admite que a situação “pode ser mais agreste em determinados sítios”. O Presidente local considera que as zonas mais inseguras da cidade são aquelas “com mais comércio e consumo de drogas nas ruas”, acrescentando que isso é algo que “atinge todas as etnias”.
Em relação aos comentários de Pedro Nuno Santos sobre imigração, que têm sido alvo de muita contestação interna no partido, Miguel Coelho considerou que o secretário-geral do PS “foi sensato”. O presidente de Santa Maria Maior considera que o líder socialista quis passar a mensagem de que “a esquerda está aqui para discutir a questão” da imigração. Este é um debate que Coelho considera necessário e que deve ser feito “sem complexos”. Contudo, ressalva que é preciso separar o debate das imigrações da questão da criminalidade, “senão fica tudo inquinado”.
Tendo em conta a contestação interna que Pedro Nuno Santos tem enfrentado — depois de ter dito que os imigrantes têm de “perceber que há uma partilha de um modo de vida, uma cultura que deve ser respeitada”—, o Presidente da Junta disse que “parece que a ala esquerdista do PS virou moderada e que a moderada virou esquerdista”. Rejeitando que a liderança do partido esteja em risco, Miguel Coelho, apoiante de José Luís Carneiro nas eleições que determinaram o sucessor de António Costa no PS , assume que Pedro Nuno “como qualquer líder, tem a sua liderança garantida até às próximas eleições legislativas”.
O Presidente de Santa Maria Maior, que contou ter também sido emigrante antes do 25 de abril, anunciou ainda que a Junta que lidera vai promover cursos de português para imigrantes, no sentido de ajudar a ultrapassar uma “grande barreira” à integração, que considera ser a língua. Esta será uma operação de “grande envergadura” que está a ser dinamizada com uma associação local, anuncia. Uma particularidade dessas aulas é que as mulheres estrangeiras serão integradas em “turmas especiais”. Coelho admite que a igualdade de género “não é bem a mesma coisa na Europa em comparação com outros países” e admite que esta medida é pensada para ajudar à sensibilização destas mulheres (e comunidades), a esse nível.