Rui Costa tinha deixado a promessa. No final do jogo contra a Juventus, independentemente do resultado, iria falar sobre tudo. E o tudo incluía as derrotas contra Barcelona e Casa Pia, a conversa de meia-hora que Bruno Lage teve com adeptos na garagem do Estádio da Luz e o áudio em que todos ouviram o treinador encarnado a criticar jogadores, estrutura e método. E Rui Costa cumpriu a promessa.
Pouco depois de Bruno Lage deixar a sala de imprensa do Allianz Stadium, na sequência de uma vitória que deixou o Benfica dentro do playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, Rui Costa surgiu perante a comunicação social e respondeu às perguntas dos jornalistas. Começou por agradecer aos adeptos pelo apoio, sublinhou o “mérito” do apuramento e não escondeu a importância do resultado. Depois, falou sobre tudo aquilo que ainda não tinha comentado.
“Não vou estar aqui a esconder. Foi uma semana difícil, quando o Benfica perde é uma semana difícil. Passou-se esta história do áudio, que Bruno Lage já explicou. O parque do Estádio da Luz está aberto e estavam ali adeptos. Acabou por ser uma conversa que depois foi gravada, tal como já houve muitas no passado. Não será uma situação nova, conversas tranquilas com adeptos. O facto de ter sido naquele tom de voz não significa que tenha sido algo violento. Saíram todos com otimismo. É um parque aberto, o jogo foi às 18h, a equipa chegou numa altura em que o parque estava aberto. Não foi uma situação não autorizada. Correu essa conversa, apareceu um áudio, se não tivesse aparecido nem se sabia o conteúdo. Foi feita depois de uma derrota, onde há adeptos desiludidos, um treinador mais chateado, e que causou todo este embaraço. Mas, como foi prometido, não teria implicações naquilo que é o relacionamento entre treinador e equipa. A prova foi cabal hoje”, começou por dizer, defendendo a ideia de que o episódio não foi “assim tão anormal”.
Mais à frente, e tal como Bruno Lage tem feito nos últimos dias, esvaziou o cenário de atrito entre o treinador e os jogadores. “Acham que se houvesse esse atrito a equipa teria dado a resposta que hoje deu? Se houvesse essa polémica? Se isto foi uma coisa que beneficiou o Benfica ou o ambiente? Já disse que não. Mas temos de saber ultrapassar e responder em campo. E foi isso que aconteceu hoje”, explicou Rui Costa.
Bruno Lage aproveitou a antevisão da partida para garantir desde logo que não iria colocar o lugar à disposição, independentemente do resultado contra a Juventus, e o presidente do Benfica também afastou a ideia de que o jogo desta quarta-feira era uma espécie de teste à continuidade do treinador. “Sei o grau de exigência que é trabalhar neste clube. Parece-me muito estranho que o Benfica tem um episódio menos positivo ou perde um ponto, que tenha de se demitir o treinador, o presidente. Daqui a bocado tem de se demitir o roupeiro… Deixe-me lembrar uma coisa. O Benfica perdeu nove pontos nas últimas jornadas, mas entra esta temporada para disputar cinco competições. E é bom que os benfiquistas percebam isso. Uma delas ainda não começou, o Mundial de Clubes. E é preciso recordar que lá estamos com todo o mérito. Das competições portuguesas que terminaram, ganhou a que podia ganhar. Está a seis pontos do primeiro lugar. Tem sido um Campeonato irregular da nossa parte e, curiosamente, de todas as equipas”, lembrou.
“O Benfica ainda não perdeu nada do que ainda pode disputar e já ganhou o que podia ganhar. Se está tudo bem? Não, hoje podíamos estar no primeiro lugar. Mas já perdeu o Campeonato? Não e vai lutar por ele até ao fim. É um ano muito diferente. Mais jogos na Liga dos Campeões… Que os benfiquistas entendam que isto não serve de desculpa. O grau de exigência é sempre muito grande. Mas lembrar que, nestes 30 dias, o Benfica disputa nove jogos. É difícil manter a regularidade com tantos jogos, sem se poder treinar, com cansaço físico e mental. É desculpa? Não, até porque começámos mal o Campeonato. Mas não me lembro de um Campeonato onde os três grandes já tenham trocado de treinador a meio. Nunca aconteceu? Mostra que não é uma realidade nos clubes europeus. Dito isto, não serve de desculpa e sou o primeiro a dizer que não está tudo bem. Assim como não estaria se estivéssemos seis pontos na frente”, referiu o presidente do Benfica.
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Questionado sobre se Bruno Lage vai ser o treinador dos encarnados até ao final da temporada, Rui Costa limitou-se a referir que o Benfica conquistou “a única coisa que podia ter ganho até ao momento”. “A minha relação com Bruno Lage é horrível”, iniciou, claramente em tom irónico. “Percebo que haja muita gente a falar de conflitos. Em relação às eleições, estou focadíssimo na época desportiva do Benfica. Não posso pedir às equipas que trabalham comigo para estarem focadas nas eleições. Não vou estar a pensar nisso. Há muita gente já a focar nisso. Acho que não é o ‘timing’. O Benfica, neste momento, só pensa em fazer o melhor possível para que esta época não termine apenas com o troféu da Taça da Liga”, garantiu.
Por fim, depois de revelar que “até segunda-feira” poderá entrar ou sair alguém do plantel do Benfica, Rui Costa deixou uma promessa aos adeptos. “Máxima confiança. É verdade que há muita gente a tentar fazer de tudo para que o Benfica não chegue lá, mas o Benfica sabe o que está a fazer. Cada vez que o Benfica perde um ponto… Não é preciso ir muito longe. Há muita gente a querer desestabilizar. E aqui dentro não o vão conseguir fazer. Estamos em quatro competições, uma já acabou e ganhámos. A nível nacional temos mais duas e queremos ganhar. As promessas são de confiança, como ainda hoje foi aqui”, terminou.