Alguns dos empresários mais importantes de Itália foram apanhados numa fraude que usou inteligência artificial para clonar a voz do ministro da Defesa italiano a pedir um milhão de euros. Entre os visados estão o designer Giorgio Armani e chefes de marcas como a Prada e a fábrica de armas Beretta. O dinheiro seria para resgatar jornalistas italianos sequestrados no Médio Oriente.

Num dos casos, o antigo presidente do Inter de Milão, Massimo Moratti, terá mesmo feito o que a voz clonada do ministro solicitava, tendo feito duas transferências no total de um milhão de euros para uma conta bancária em Hong Kong com a ideia de que o dinheiro seria reembolsado para o Banco de Itália.

Na rede social X, Guido Crosetto fez um aviso público, contando a história do caso para “dar publicidade a uma grave burla em curso”, que descobriu devido a um contacto de um empresário que não conhecia.

“Ele telefona-me e diz-me que foi contactado por mim e depois por um general e que fez uma transferência muito grande para uma conta que lhe foi dada pelo ‘general'”, escreveu o ministro no X.

“A justiça e os Carabinieri (polícia italiana) estão informados de tudo, mas eu prefiro tornar os factos públicos para que ninguém corra o risco de cair na armadilha”, avisou.

Numa outra publicação, o ministro ironizou, citando o amigo e político italiano Gian Franco Rotondi: “Como acontece com todas as obras-primas, começam a aparecer falsificações!”.

Para além de terem clonado a voz do ministro, vários alvos da fraude tentaram passar por funcionários do Ministério da Defesa. Um dos membros da administração da empresa farmacêutica italiana Menarini, Lucia Aleotti, contou ao Corriere della Sera que a pessoa que telefonou introduziu-se como sendo um “Dr. Giovanni Montalbano” e alegando que o ministro estava fora.

No entanto, conta, a empresa foi alvo da tentativa de fraude mas que tinha sido salva pela assistente pessoal, que notou que algo não estava certo.

“Estamos sempre a receber chamadas telefónicas suspeitas. Uma vez tentaram vender-nos um Caravaggio e, há alguns anos, até um Leonardo. Esta não foi, de modo algum, a burla mais difícil para a nossa assistente”, conta a administradora.

“O autodenominado Montalbano insistiu, dizendo que o ministro estava nas instalações da NATO. Deixou um número estrangeiro para lhe ligar de volta no mesmo dia. A chamada telefónica fez Chiara desconfiar imediatamente”.

Ao todo, refere o jornal, terão sido recebidas quatro queixas na justiça italiana relacionadas com a fraude, incluindo da administradora da Menarini e do antigo dono do Inter de Milão.

Segundo a televisão italiana Rai Uno, a polícia já está a investigar o caso, tendo congelado várias contas relacionadas com a fraude. No entanto, não se sabe ainda se o dinheiro pago pelos defraudados foi recuperado.