Tal como prometido, a administração de Donald Trump parece estar apostada em combater o que denomina de injustiça nas relações com os seus principais parceiros comerciais. E depois de lidar com Canadá, México e China, com o intuito de acabar com a falta de reciprocidade, ou seja, pretendendo igualar os impostos aplicados à importação para os EUA que os mercados de origem impõem aos produtos norte-americanos, eis que agora parece ter chegado a vez da Europa. Significa isto que os automóveis produzidos no Velho Continente e exportados para os EUA poderão ter de enfrentar, a partir de Abril, um substancial agravamento das taxas alfandegárias que agora vigoram.

A perspectiva de as exportações para os EUA passarem a ser taxadas a 10%, 4 vezes mais do que os actuais 2,5%, deixou a indústria europeia em sobressalto, pois a medida implica uma grande redução das margens de lucro nas exportações de veículos para os EUA. E este cenário, a concretizar-se, penalizará sobretudo os fabricantes de automóveis de luxo, ou seja, os construtores alemães como a Audi, a BMW, a Mercedes e a Porsche.

De recordar que os três grandes grupos germânicos (Audi através da VW, BMW e Mercedes) possuem já fábricas instaladas nos EUA, nomeadamente a Audi em Chattanooga, no Tennessee, a BMW em Spartanburg, na Carolina do Sul, e a Mercedes em Tuscaloosa, no Alabama. E todos os modelos que saem destas linhas de produção estão obviamente isentos de taxas, como se pertencessem a um construtor norte-americano. A questão reside nos veículos importados a partir da Alemanha, tradicionalmente os maiores, mais sofisticados e caros, que passarão a ser submetidos a tarifas quatro vezes superiores.

Apesar das críticas europeias, os dirigentes do Velho Continente devem recordar que exportam há décadas veículos para os EUA, a pagar apenas 2,5% à entrada do mercado norte-americano, enquanto sempre taxaram alegremente em 10% dos veículos americanos que rumaram à Europa. Tudo indica que a nova administração vai equilibrar o regime fiscal automóvel entre os dois lados do Atlântico, penalizando os construtores que mais dependem do mercado americano.

Actualizado em 18/2 às 11h10, com correcção do incremento