O turismo vulcânico tem conquistado cada vez mais admiradores nos últimos anos. Em 2021, a erupção do Cumbre Vieja, na ilha de La Palma, nas Canárias, despertou o interesse de curiosos que desejavam observar o fenómeno de perto. A Islândia, país conhecido pela sua atividade vulcânica, anunciou para o final deste ano a criação da “Rota Vulcânica”, um caminho de 700 quilómetros que se estende até às proximidades do vulcão Öræfajökull.
Atualmente, o “turismo de catástrofe” está concentrado no vulcão mais popular da Itália. Milhares de turistas viajaram até ao Monte Etna para observar a erupção, mas os visitantes estão a criar alguns problema: segundo o The Guardian, há estradas bloqueadas que impedem as autoridades de proceder ao auxílio e resgate em situações de emergência
O vulcão Etna, na ilha da Sicília, voltou a entrar em erupção no dia 12 de fevereiro, atraindo mais turistas do que o normal devido ao facto de a montanha estar coberta de neve. O chefe da proteção civil regional, Salvo Cocina, descreve a recente atividade turística em Etna como “selvagem” e “extremamente perigosa”, afirmando que os curiosos deixaram carros estacionados em ruas estreitas, impedindo a passagem dos veículos de resgate e emergência.
[No podcast “Pequenas Reivindicações de Liberdade“, a paciência da pessoa convidada é sempre posta à prova e nada a impede de abandonar o estúdio — mas o que está dito, está dito. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]
Cocina escreveu, numa publicação no Facebook, que o movimento de pessoas deu origem a “uma cena selvagem, com carros a ocupar as vias estreitas, paralisação de trânsito… E veículos de resgate impedidos de passar”, acrescentando que “à medida que a escuridão desce, a situação torna-se extremamente perigosa, com risco aumentado de queda e de pessoas se afundarem na neve”.
O jornal Etna News 24 contou que já foi preciso resgatar um grupo de oito pessoas, que incluía dois menores, que se perdeu durante várias horas na área de Rifugio Galvarina, perto de Piano delle Felci. O episódio, que acabou sem feridos, só foi resolvido com a ajuda dos bombeiros. Já um homem de 48 anos teve que ser socorrido após ter fraturado um pé numa queda,
Segundo o The Guardian, as autoridades locais ordenaram aos visitantes que se mantenham a pelo menos 500 metros de distância do vulcão. Mas a frente de lava continua a ser visitada todas as noites por milhares de pessoas que ignoram o perigo.
Durante o fim de semana, centenas de vídeos de turistas que alcançaram a área do vulcão tornaram-se virais nas redes sociais. Um vídeo publicado no TikTok mostra dezenas de pessoas perto de um jato de lava que, ao descer pelo declive coberto de neve, cria uma espécie de riacho incandescente.
“Vi muitas fotos e vídeos de pessoas perigosamente perto da frente de lava, até a esquiar”, afirma Carlo Caputo, o presidente da Câmara de Belpasso, citado pelo The Guardian. “Ainda que seja visualmente impressionante, expõe-os a riscos sérios, já que a lava, quando entra em contacto com a neve, pode vaporizá-la instantaneamente e a energia termal libertada pode arremessar violentamente fragmentos ou rochas”.