Era uma viragem, era o início de uma mudança, era o princípio de mais objetivos. Depois da descida à Liga B da Liga das Nações, Portugal assumiu o favoritismo em todos os compromissos, mostrou que conseguiu ir consolidando o seu espaço num patamar mais alto e regressou de forma natural à Liga A da competição ao mesmo tempo que carimbou a passagem à fase final do Campeonato da Europa deste ano. Agora, começava esse caminho 2.0 na alta roda do futebol do Velho Continente, com um grupo na Liga das Nações muito parecido em relação ao que a Seleção terá no Euro. A abrir, o adversário “diferente” era o primeiro.
“O padrão de problemas é diferente. Passámos de um contexto em que seríamos dominadores, sabemos que o contexto poderá mudar um pouco, com momentos em que podemos ser dominados. Nesses momentos, temos de tentar ter o controlo do jogo. Temos de alterar o mindset e perceber onde podemos criar problemas. Estes três dias de trabalho foram nesse sentido. É uma Inglaterra que é sempre muito poderosa e que tem um conjunto de jogadoras muito experientes, algumas a jogar em contextos de adversidade. Conta com jogadoras jovens, acreditamos que vão jogar com as mais experientes, será sempre um jogo muito difícil, onde os pormenores serão importantes. A nossa melhor versão tem de vir ao de cima”, comentara Francisco Neto na antecâmara da partida, recordando um dos melhores jogos das Navegadoras nos últimos anos.
“Entrar a ganhar é sempre importante mas não é decisivo. É uma competição muito curta, que conta com poucos jogos, onde a margem de erro é reduzida e todos os pontos contam. Dentro da Seleção há uma só voz. Aquilo que achamos e sentimos dentro de campo é que, no final do jogo, se pode dizer foi ou não um bom resultado. Recordo o jogo contra os EUA no Mundial, em que se esperava uma esperar uma derrota por números expressivos, e na verdade terminámos o jogo com a ideia de que merecíamos ter vencido. Seja qual for o adversário, esta tem de ser a nossa mentalidade. Isto é ser Portugal”, acrescentara o selecionador.
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Era neste contexto que chegava o duelo frente à campeã europeia em título e vice-campeã mundial em 2023, que na primeira edição da Liga das Nações não conseguiu chegar à Final Four e que tentaria agora na teoria discutir com a Espanha essa vaga nas meias-finais. Problema? Sobretudo na segunda parte, chocou com a melhor versão de Portugal, embalado pela entrada em campo de Kika Nazareth e a mostrar que pode bater o pé às melhores formações europeias. Se a Bélgica ameaçou sem sucesso roubar pontos à Espanha, cedendo apenas em período de descontos, Portugal conseguiu empatar com a formação britânica, pontuando num encontro de carácter oficial como já não acontecia desde o apuramento para o Mundial de… 2003.
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Mantendo o habitual esquema de 3x4x1x2, com Ana Borges, Carole Costa e Diana Gomes na linha de três à frente de Inês Pereira, Catarina Amado e Joana Marchão nas alas, um tridente ao meio com Dolores Silva, Tatiana Pinto e Andreia Norton e Jéssica e Diana Silva na frente, Portugal foi tentando encaixar no domínio inglês desde início mesmo com 20 metros a menos no ataque e sofreu apenas um calafrio no quarto de hora inicial, com Ella Toone a entrar por dentro, a receber de Lucy Bronze e a rematar ao lado (10′). Contudo, e no primeiro remate enquadrado com a baliza, as britânicas inauguraram o marcador: Lucy Bronze, lateral que era a estratega de todo o jogo com e sem bola da equipa, tirou um cruzamento tenso na linha de fundo e Alessia Russo só teve de encostar sozinha na pequena área sem hipóteses para Inês Pereira (15′).
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Era a pior notícia possível tendo em conta a vontade de retardar ao máximo um golo das visitantes a abrir mas nem por isso as Navegadoras perderam a sua organização coletiva. Nas recuperações, no controlo e na capacidade de ler os diferentes momentos de jogo houve sempre mais Inglaterra mas Portugal não voltou a permitir mais oportunidades claras de golo e teve também o seu momento para ser feliz, com Diana Silva a aproveitar um ressalto na área para rematar forte mas ao lado da baliza de Mary Earps (42′). Faltava colocar mais unidades na frente em transição ou ataque organizado, os esquemas táticos em que a Seleção é forte também escassearam e o intervalo chegou mesmo com a vantagem mínima das inglesas.
LUCY BRONZE TO ALESSIA RUSSO! ????
Russo's first-touch finish puts England up 1-0 in the opening 15 minutes of the game vs. Portugal ????????????????????????????
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Apesar da saída ao intervalo de Lucy Bronze para a entrada de Jessica Carter, as características do encontro não mudaram e as balizas continuaram afastadas do epicentro das ações. No entanto, e quando Francisco Neto começou a mexer na equipa com Lúcia Alves, Andreia Jacinto e Kika Nazareth, Portugal melhorou e sobretudo ganhou metros. O último passe nunca foi suficiente para dar finalização mas nem a Inglaterra controlava a partida como queria, nem Portugal estava com as mesmas amarras que tinham condicionado o jogo ofensivo até aí. Era preciso um rasgo de genialidade e foi aí que apareceu a inevitável, numa jogada individual fantástica com um golo ainda melhor a fazer o empate (75′). Mais: mesmo depois do 1-1, foi a formação nacional que acabou em cima de uma Inglaterra apática que apenas voltou a criar perigo e de bola parada em período de descontos, com um cabeceamento de Alessia Russo para defesa de Inês Pereira.
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