A Guarda Civil espanhola anunciou, na quarta-feira, a descoberta de um túnel clandestino que ligava Marrocos à cidade de Ceuta, utilizado, presumivelmente, para tráfico de droga. O túnel, com 12 metros de profundidade e equipado com iluminação básica, foi encontrado com recurso a imagens de drone, durante uma operação contra o tráfico que já decorre há mais de um ano.

A investigação, conhecida como Operação Hades, já levou à prisão de 14 pessoas, incluindo dois agentes da Guarda Civil e Mohamed Alí Duas, funcionário prisional e deputado da Assembleia de Ceuta. Foram ainda apreendidos mais de 6.000 quilos de droga escondidos em três camiões que foram intercetados, noticia o jornal espanhol El País. No entanto, até ao momento, não foram feitas detenções nem apreendidas substâncias ilícitas no túnel descoberto pelas autoridades, informa a AP News.

Ainda assim, a Guardia Civil, citada pelo Washington Post, salienta que a estrutura subterrânea “poderia ter sido utilizado para transportar drogas através da fronteira entre Marrocos e Espanha”.

A entrada fazia-se através de um alçapão no chão de uma antiga fábrica de mármore desativada desde 2020. O túnel, que estava a 12 metros de profundidade, tinha um total de 50 metros de extensão, permitindo que em algumas partes se andasse de pé. Segundo fontes próximas da investigação, foram várias as organizações que terão colaborado na construção, partilhando, por isso, o controlo e a utilização da passagem subterrânea.

Na rede social X, a Guardia Civil partilhou um vídeo que revela as diferentes fases do túnel clandestino. Nas imagens, um agente percorre a passagem subterrânea, demonstrando a complexidade da estrutura, que se estende por dezenas de metros.

A construção do túnel, estreita e forrada com madeira, é rara em Espanha. Fontes da investigação, que sugerem que a edificação envolveu maquinaria pesada, comparam esta estrutura aos túneis utilizados por cartéis mexicanos para traficar droga para os EUA.

Texto editado por Carlos Diogo Santos