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No dia 7 de outubro de 2023, o Hamas fez 251 reféns. Mais de 500 dias depois, 66 deles ainda estão na Faixa de Gaza e, ao que se sabe, estão vivos cerca de metade. No sábado, serão libertados mais seis reféns, naquela que é a última ronda de libertações de pessoas com vida integrada na primeira fase do acordo de cessar-fogo em vigor. No momento em que os seis homens regressarem a Israel vai descer para 60 o número de reféns retidos pelo grupo terrorista em território palestiniano e fica sem se saber o destino dos restantes.

O início das negociações para uma segunda fase do cessar-fogo é esperado nos próximos dias. Na quinta-feira, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, anunciou que o grupo está disposto a libertar todos os reféns de uma só vez na segunda fase do plano de cessar-fogo, desde que Israel aceite os termos propostos, que incluem um cessar-fogo permanente.

Segundo avançou o Haaretz esta sexta-feira, Israel vai libertar 602 prisioneiros palestinianos em troca dos seis reféns israelitas que regressarão a Israel este sábado. Entre os palestinianos cativos constam 50 prisioneiros a cumprir penas de prisão perpétua e 60 a cumprir penas consideráveis.

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Quantos reféns israelitas já foram libertados e resgatados? E quando?

Ainda antes de qualquer acordo de cessar-fogo ter sido firmado, quatro reféns foram libertadas logo no final de outubro de 2023, como recorda a BBC. Eram uma mãe e uma filha norte-americanas e duas cidadãs israelitas idosas. Um soldado israelita que tinha sido feito refém a 7 de outubro também foi nessa altura resgatado pelas próprias Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), durante uma operação terrestre em Gaza, a 29 de outubro de 2023.

No final de novembro de 2023, pouco mais de um mês depois do ataque de 7 de outubro, foram libertados 81 reféns israelitas durante um acordo de cessar-fogo temporário que durou uma semana. Foi o maior número de reféns libertados até agora, sendo nessa altura dada prioridade a crianças e mulheres, que representam a grande maioria das pessoas que regressou a Israel.

Em 2024, não houve tréguas no conflito israelo-palestiniano que incluíssem libertações e todos os reféns que regressaram a casa foram resgatados pelo próprio exército israelita. A 12 de fevereiro do ano passado, as IDF resgataram Fernando Marman, de 60 anos, e Louis Har, de 70 anos, durante combates na cidade de Rafa, no sul de Gaza.

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Em junho de 2024, as forças israelitas conseguiram resgatar mais quatro reféns num ataque à luz do dia no centro de Gaza. Foram levados para Israel Noa Argamani , de 26 anos, Almog Meir Jan , de 22, Andrei Kozlov, de 27, e Shlomi Ziv, de 41.

Noa era uma das reféns mais reconhecidas desde que foi sequestrada no festival de música Supernova. Correu mundo um vídeo que mostrava o momento do seu sequestro, quando foi levada por dois homens que guiavam uma mota. “Não me matem!”, implorava Noa, enquanto era levada pelo Hamas.

Uma “missão heróica” preparada ao longo de “várias semanas”. Como o exército de Israel conseguiu salvar os quatro reféns

Ainda no verão de 2024, no dia 27 de agosto, as IDF resgataram Kaid Farhan Elkadi, um homem de 52 anos, numa “operação complexa no sul da Faixa de Gaza”.

De agosto de 2024 a janeiro de 2025 não houve mais reféns libertados nem resgatados. O mais recente acordo de cessar-fogo, que entrou em vigor no dia 19 de janeiro, previu que o Hamas libertasse 33 reféns israelitas: três no primeiro dia do cessar-fogo, quatro no sétimo dia e as restantes 26 pessoas nas cinco semanas seguintes. Nos termos do acordo ficou determinado que estes prisioneiros libertados deveriam incluir todas as mulheres (civis e soldados), crianças e homens acima dos 50 anos que ainda estavam em cativeiro.

Até agora, 19 reféns israelitas vivos foram libertados, além de cinco trabalhadores tailandeses que tinham sido sequestrados. Se a libertação dos seis homens deste sábado correr conforme planeado, só quatro permanecerão em Gaza, dos tais 33 reféns acordados, devendo os mesmos ser devolvidos na semana que vem a Israel.

O Hamas acelerou o processo de devolução de reféns mortos esta quinta-feira, com a entregar na quinta-feira a Israel os corpos de quatro reféns, incluindo os de duas crianças e da sua mãe. Os três membros da família Bibas tinham sido dado como mortos em novembro de 2023. O Hamas afirmou que os três tinham sido mortos em bombardeamentos israelitas na Faixa de Gaza, informação que Israel nunca deu como certa até ao momento em que recebeu os corpos.

E quantos palestinianos já foram libertados por Israel desde 7 de outubro?

Antes do ataque de 7 de outubro de 2023 do Hamas, havia cerca de 5.200 palestinianos em prisões israelitas. O número disparou depois da ofensiva que chegou de Gaza e, nem um mês depois, já mais 3.000 palestinianos tinham sido presos, segundo dados da Aljazeera.

Até 28 de novembro de 2023, durante as primeiras tréguas do conflito israelo-palestiniano, foram libertados 180 prisioneiros, escolhidos de uma lista de 300 palestinianos detidos. Começaram por ser libertadas crianças e mulheres jovens.

Mais recentemente, em janeiro de 2025, o governo israelita aprovou a libertação de centenas prisioneiros e detidos palestinianos, como meio de troca para a libertação de reféns israelitas mantidos em Gaza. No acordo de cessar-fogo ficou determinado que fossem libertados 30 detidos palestinianos por cada civil israelita libertado.

Já a libertação de cada mulher militar corresponderia à libertação de 50 detidos palestinianos. No dia 25 de janeiro Karina Ariev, Daniella Gilboa, Naama Levy e Liri Albag foram libertadas pelo Hamas. Todas militares, israelitas, e com entre 19 e 20 anos.

Karina, Naama, Daniella e Liri. Quem são as militares libertadas pelo Hamas (e por que razão saíram antes de uma civil)

A primeira troca de reféns a propósito do cessar-fogo de 2025, no dia 19 de janeiro, contou com a libertação de 90 prisioneiros palestinianos, os tais 30 por cada um dos três reféns israelitas libertados nesse dia. Na semana seguinte, no dia 25 de janeiro, Israel libertou 200 prisioneiros palestinianos, os tais 50 por cada uma das jovens militares colocadas em liberdade pelo Hamas.

No dia 8 de fevereiro, Israel libertou mais 183 prisioneiros que regressaram à Palestina, em troca de três reféns israelitas. No sábado passado, 15 de fevereiro, Israel libertou 369 palestinianos no âmbito de mais uma troca.

No total, a primeira fase do acordo entre o governo israelita e o Hamas previa que cerca de 1.900 palestinianos encarcerados por Israel fossem libertados. Sendo que este sábado está prevista a libertação de mais 602 prisioneiros palestinianos o número está muito próximo daquele que foi acordado.