O Presidente norte-americano, Donald Trump, evitou esta quarta-feira comprometer-se em impedir uma eventual invasão chinesa de Taiwan, notando a “ótima relação” com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, defensor da necessidade de reintegrar o território com governo autónomo na China.
“Não me quero colocar nessa posição”, respondeu o republicano quando questionado pelos jornalistas na Casa Branca se assumiria o compromisso de que Pequim não invadiria a ilha durante o seu mandato.
“E se o dissesse, certamente não o diria a si. Di-lo-ia a outras pessoas, talvez a pessoas sentadas à volta desta mesa”, acrescentou Trump, que afirmou a “ótima relação” com Xi Jinping e expressou o desejo de uma visita do seu homólogo aos Estados Unidos.
Trump estimou ainda como “muito boa” a relação entre os dois países. “A relação que teremos com a China vai ser muito boa. Queremos uma boa relação com a China”, insistiu.
Quanto à guerra comercial com Pequim, o governante manifestou o desejo de ver empresas chinesas a aumentar os seus investimentos nos Estados Unidos. “O que não queremos é que eles se aproveitem de nós”, afirmou.
Os militares chineses realizaram esta quarta-feira manobras surpresa de fogo real ao largo da costa sul de Taiwan, no mesmo dia em que altos responsáveis do Partido Comunista apelaram a um redobrar de esforços para conseguir a “reunificação” da ilha, que consideram uma província sua.
Os Estados Unidos são o principal fornecedor de apoio militar e económico a Taiwan, embora não reconheçam oficialmente a independência de Taiwan.
Recentemente, o Departamento de Estado modificou o seu site e retirou uma frase sobre os Estados Unidos não apoiarem a independência do território, um gesto que foi repudiado por Pequim.
A 31 de dezembro de 2024, num discurso de Ano Novo, o Presidente chinês afirmou que “ninguém pode impedir” a “reunificação” de Taiwan.
“Os chineses de ambos os lados do Estreito de Taiwan são uma só família. Ninguém pode quebrar os nossos laços de sangue e ninguém pode parar a tendência histórica da reunificação da pátria”, declarou no discurso transmitido pela imprensa estatal.
China e Taiwan coexistem desde 1949 com governos separados, mas Pequim reivindica a ilha como parte integrante do seu território e não exclui a possibilidade de recorrer à força para “reunificar” o território.
Pequim intensificou a sua pressão militar e política sobre Taipé nos últimos anos, enviando regularmente navios de guerra e aviões de combate para a zona em torno de Taiwan.
Historicamente, os Estados Unidos têm mantido uma política de “ambiguidade estratégica” relativamente a uma possível intervenção militar no caso de Taiwan ser atacada pela China.