O ébola é uma doença viral altamente contagiosa, tanto entre humanos como entre humanos e animais, que pode causar insuficiências hepáticas e renais, além de hemorragias internas e externas abundantes. É, por isso, uma doença “grave e, muitas vezes, fatal“. Apesar do perigo da doença, a agência norte-americana que trabalha em todo o mundo para prevenir o ébola teve o seu financiamento federal “acidentalmente cortado”, reconheceu Elon Musk, o empresário que Donald Trump encarregou de cortar drasticamente na despesa pública. Musk garantiu que o “erro” foi “imediatamente” corrigido, mas especialistas nesta área garantem que existem cortes e que estes estão a causar muitos problemas.
“Vamos cometer erros. Não vamos ser perfeitos. Mas quando cometermos um erro vamos corrigi-lo muito rapidamente“, garantiu Elon Musk numa reunião entre responsáveis da administração Trump, aberta à imprensa. Foi o próprio Elon Musk, que lidera o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), que reconheceu que o financiamento federal à agência do ébola foi cortado – porém, garantiu que foi rapidamente restabelecido e “não houve interrupção“.
“É claro que todos queremos prevenção do ébola“, brincou o líder do DOGE, departamento cujo nome coincide com a designação de uma criptomoeda há vários anos impulsionada pelo homem mais rico do mundo, patrão da Tesla e da SpaceX (além de dono da rede social X, antigo Twitter).
No entanto, vários antigos responsáveis ligados a este setor garantem que aquilo que Elon Musk diz não é verdade. De acordo com especialistas citados pelo The Washington Post, o trabalho de prevenção tem sido “paralisado” pela indefinição em torno do financiamento federal da Agência Norte-americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID).
Jeremy Konyndyk, presidente da organização Refugees International, escreveu na rede social X (que é propriedade de Musk), que “foi dispensada a maioria dos especialistas” e “estão a levar à bancarrota a maior parte das organizações parceiras“.
Konyndyk salienta que, no passado, já foi responsável pela equipa de resposta a surtos de ébola na USAID, pelo que a sua experiência e contactos que mantém na organização o levam a dizer que “é um disparate” Elon Musk dizer que tudo está a funcionar sem problemas.
So – I've actually led Ebola outbreak response at @USAID.
This is bunk from Elon. They have laid off most of the experts, they're bankrupting most of the partner orgs, have withdrawn from WHO, and muzzled CDC.
What's left is a fig-leaf effort to cover their asses politically. https://t.co/496aRBXYnM
— Jeremy Konyndyk is at jeremykonyndyk.bsky.social (@JeremyKonyndyk) February 26, 2025
Outra especialista, citado pelo The Washington Post, diz que “não houve esforços para ‘ativar’ nada na prevenção” do ébola e de outras doenças. Nidhi Bouri, que serviu como alto funcionário da USAID durante a administração Biden, supervisionou a resposta da agência a surtos sanitários. A equipa que Bouri liderava, na USAID, era composta por 60 pessoas e, no início desta semana, foi reduzida para cerca de seis funcionários.
O jornal também falou com outros atuais e antigos funcionários da USAID que, sob anonimato, fizeram a mesma descrição. “Houve uma exceção para o ébola, mas os fundos da USAID nunca mais voltaram a estar disponíveis”, disse um funcionário que, ao contrário dos outros, continua a trabalhar na agência. “A USAID foi paralisada: tanto ao nível do pessoal como, também, do dinheiro”, atirou.
A administração Trump anunciou há várias semanas que iria manter apenas 611 funcionários considerados essenciais de uma força de trabalho que contava com mais de 10.000 funcionários em todo o mundo. A USAID foi responsável por 42% de toda a ajuda humanitária distribuída em 2024, segundo os registos da ONU. A reestruturação drástica da agência humanitária tem sido liderada pelo empresário sul-africano Elon Musk, que afirmou que a USAID é uma “organização criminosa”.
Juíza bloqueia temporariamente desmantelamento da agência USAID