O novo ano continua a não correr bem para Paulo Fonseca. Depois de ter sido despedido do Milan no penúltimo dia de 2024, o treinador português entrou em 2025 desempregado… por pouco tempo. Ainda em janeiro, assinou contrato com o Lyon e regressou a França. Apesar de até ter conseguido três vitórias nos primeiros cinco jogos, levando a equipa aos lugares europeus, a partida deste domingo, frente ao Brest (casa, 2-1), ficou marcada por um episódio inusitado e polémico, em que Fonseca perdeu a cabeça.

O duelo da 24.ª jornada da Ligue 1 estava no tempo de compensação e caminhava para o fim, numa fase em que o Lyon vencia por 2-1, com golos de Lacazette (24′ e 82′) e Lala (g.p., 15′). O árbitro Benoît Millot acabara de ser alertado pelo VAR para um eventual penálti a favor do Brest quando o treinador, descontente com a situação, embrulhou-se numa discussão com o juiz e acabou por lhe encostar a cabeça. O castigo máximo acabou por não ser assinalado, com o árbitro a manter a decisão de campo, mas Paulo Fonseca terminou o jogo no balneário e arrisca um castigo pesado.

A Comissão de Disciplina da Liga francesa vai analisar o caso na quarta-feira, mas o português de 51 anos arrisca um castigo até sete meses de suspensão. Segundo o jornal L’Équipe, que cita a Liga de Futebol Profissional francesa (LFP), Paulo Fonseca foi convocado pelo conselho de disciplina para prestar declarações na quarta-feira, na véspera de o clube francês defrontar o FCSB na primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa, não se sabendo quem marcará presença no banco. A mesma fonte acrescenta que o Lyon confirmou que vai sancionar internamente o português. “No Lyon, quando há problemas comportamentais, seja com um jogador, um membro da equipa técnica, um treinador ou eu, há sanções que estão planeadas”, explicou Laurent Prud’homme, afirmou diretor desportivo do emblema francês.

“Sanção financeira? É uma sanção interna. Talvez comuniquemos mais tarde. Claro que não estamos orgulhosos do que ele fez. Ele desculpou-se e estou orgulhoso da sua reação imediata. Foi uma atitude de raiva, que não pode ser repetido, mas ele veio desculpar-se e, pelo que me disse, também escreveu aos responsáveis da arbitragem. Não lhe pedimos nada. Foi ele que o fez. Também vamos ter isso em consideração. Todos ficámos chocados, mas acho que ele também ficou chocado. Agora vamos esperar pela Comissão de Disciplina e aceitaremos a decisão. Sentimos que há muita tensão em torno da arbitragem. O clube posicionou-se em relação a Paulo Fonseca. É importante lembrar isso. Estaremos muito atentos”, concluiu.

“Quero apenas pedir desculpa pelo gesto. Não o devo fazer. É o futebol… talvez tenhamos gestos que não são corretos. Peço desculpa. Foi um jogo difícil. Jogar contra o Brest é sempre difícil porque é um jogo de duelos, muito físico e eles são muito experientes. Depois do golo do Brest, as coisas ficaram mais complicadas, mas penso que a equipa teve uma boa atitude e tiveram vontade de ganhar o jogo. É verdade que na primeira parte não pensámos bem o jogo, mas o segundo tempo foi diferente. Fomos muito agressivos e recuperámos a bola mais rapidamente. No final do encontro… quero apenas pedir desculpa pelo gesto. Não o devo fazer. É a verdade. Não quero entrar em detalhes”, partilhou Fonseca, no final da partida, aos jornalistas.

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Quem também se pronunciou foi o árbitro Millot, que assumiu ter sido surpreendido por uma atitude “impressionante de tentar dar uma cabeçada”. “Fico paralisado, em parte por causa do efeito surpresa, mas principalmente porque não quero recuar perante a intimidação. Os jogadores vieram empurrá-lo, afastou-se, mas voltou uma segunda vez. Depois, finalmente abandonou as imediações do relvado. Nem sequer tive tempo de anunciar a decisão final, que era não marcar grande penalidade para o Brest. Fiquei estupefacto com uma atitude particularmente intimidante e agressiva. É algo difícil de imaginar vindo de um treinador profissional. Tentei lidar com a situação mantendo a minha posição, mas estou bem. Talvez ache mais grave e fique mais impressionado quando voltar a ver as imagens. Em todo o caso, não podemos tolerar este tipo de comportamento”, acrescentou.

Já Olivier Lamarre, porta-voz do sindicato francês dos árbitros, afirmou que Fonseca “não entende que o árbitro tem de ser respeitado” e pediu uma “sanção exemplar”. “No futebol profissional temos de ser exemplares. Há crianças a assistir e os adultos que jogam no futebol amador também pensam que podem fazer a mesma coisa. Estamos fartos destas situações. Os árbitros dizem que os comités devem fazer o que quiserem, mas não podemos deixar de dizer que o que aconteceu deve merecer uma sanção exemplar. Passar para o contacto físico com o árbitro não pode acontecer. Não se vê isto em mais nenhum desporto”, concluiu.