Paul Smith, mais conhecido por Gandalf, é uma das mais famosas “fadas verdes” da Nova Zelândia. Planta e vende canábis medicinal a muitas pessoas que dependem deste produto para aliviar dores e que não têm possibilidade para o adquirir legalmente. Uma ação policial levou a que políticos e clientes saíssem em sua defesa e exigissem mudanças na lei.

A canábis medicinal é legal na Nova Zelândia desde 2020. No entanto, as pessoas que dela necessitam dependem da obtenção de uma receita médica para ter acesso ao tratamento. Segundo o The Guardian, as “fadas verdes” fornecem canábis mais barata e de uma forma mais acessível, ainda que no mercado negro. 

Na semana passada, a polícia neozelandesa encerrou a atividade de Gandalf, depois de uma rusga à sua propriedade. O mesmo jornal diz que as forças de segurança destruíram plantas e estufas e apreendeu produtos de canábis e que o homem, de 66 anos, foi acusado de plantar e possuir o produto para vender ilegalmente.

Paul Smith foi, posteriormente, presente ao Tribunal Distrital de Whangarei, na região de Northland, e declarou-se inocente de todas as acusações, que podem implicar uma pena de prisão de oito anos.

[No podcast “Somos Todos Malucos“, António Raminhos fala sobre os nossos medos, ansiedades e superações em conversas descomplicadas e divertidas em torno da saúde mental. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts e no Spotify]

“Devíamos fazer alguma coisa, em vez de aterrorizar um homem de 66 anos”

A ação policial contra Gandalf levou mesmo a reações de políticos, tendo, por exemplo, a co-líder do Partido Verde, Chlöe Swarbrick, afirnado que a rusga a Paul Smith foi “um desperdício absolutamente abismal de recursos públicos”. Swarbrick defendeu que a dispendiosa “guerra contra a droga” pouco contribuiu para reduzir o consumo ou para alterar as estatísticas da toxicodependência. “Este acontecimento deveria ser um sinal muito claro de que as regras que temos em vigor não estão a funcionar e que devíamos fazer alguma coisa, em vez de aterrorizar um homem de 66 anos”, rematou.

Enquanto durou a audiência, apoiantes da “fada verde” reuniram-se à porta do tribunal para manifestar o seu apoio a Gandalf. “Não se trata apenas de um ataque a um homem, mas de um ataque a centenas de pacientes que dependem de um alívio acessível”, declarou, citada pelo jornal inglês, Pearl Schomburg, cliente de Paul Smith e organizadora do Grupo de Pacientes de Auckland – um grupo de defesa que pressiona a reforma da lei da canábis. Além disso, considerou que “não há igualdade de acesso a estes produtos”, uma vez que “as únicas pessoas que têm acesso à canábis legal na Nova Zelândia são os ricos”.

Gandalf já agradeceu o apoio através de um vídeo partilhado nas redes sociais. “A todos vós, pessoas adoráveis, dou-vos um grande abraço, um agradecimento sincero por todas as vossas palavras amáveis e apoio. Nunca presenciei nada assim em toda a minha vida”, disse aos seus apoiantes.

De acordo com os meus recentes dados do NZHealthSurvey, a canábis é a droga ilícita mais consumida na Nova Zelândia, tendo sido utilizada por mais de meio milhão de adultos entre 2023 e 2024.