No meio do caos político nacional, o calendário das próximas autárquicas continua a correr e no PS há mais um nome conhecido, desta vez para se candidatar à Câmara de Oeiras: Ana Sofia Antunes. A deputada e ex-secretária de Estado da Inclusão — que foi recentemente alvo de críticas (polémicas) do Chega — é a escolhida por Pedro Nuno Santos para enfrentar o veterano Isaltino Morais.
O nome já foi votado nos órgãos concelhios do PS na noite de quarta-feira. Ana Sofia Antunes foi secretária de Estado da inclusão das pessoas com deficiência entre 2015 e 2024, tendo sido a primeira governante invisual. Depois da queda do Governo, em 2023, concorreu nas listas do PS às legislativas de 2024 e foi eleita deputada pelo círculo de Lisboa.
No mês passado esteve no centro de uma polémica parlamentar depois de ter sido criticada pela deputada do Chega Diva Ribeiro, numa referência que foi entendida por vários partidos, sobretudo pelo PS, como ofensiva para a condição física da deputada. Diva Ribeiro tinha referido como “curioso que a senhora deputada Ana Antunes só consiga intervir em assuntos que envolvem infelizmente a deficiência.”
A intervenção da deputada do Chega levantou críticas de todas as bancadas, tendo Diva Ribeiro sido acusada de “bullying”, “ofensas à honra” e falta de “bom-senso, educação, urbanidade e dignidade”. Os comentários em questão tinham acontecido durante um debate parlamentar sobre o acesso de estudantes com necessidades educativas especiais ao Ensino Superior.
O debate que este momento gerou, na altura, foi quente e com vários apartes entre bancadas parlamentares, sobretudo da bancada do Chega, que foram relatados por deputados do PSD e Bloco de Esquerda e também registados pelos serviços da Assembleia da República responsáveis por transcrever os debates para o Diário da Assembleia da República, como contou na altura o Observador.
A situação fez mesmo o líder do PS sair em defesa da deputada, apontando o dedo, na rede social X, ao “desrespeito permanente da bancada do Chega”. Mas Pedro Nuno Santos chegou mesmo a fazer uma declaração sobre o caso, para chamar “bando de delinquentes” à bancada do Chega: “Um partido que está sempre a invocar a moral na relação com os outros, não tem moral e precisa de revelar educação, respeito e abandonar a má criação e a grosseria”, afirmou numa conferência de imprensa no Parlamento.
Cerca de um mês depois, Pedro Nuno Santos chama Ana Sofia Antunes para um embate difícil para o partido já que a deputada terá pela frente um decano nas autarquias. Isaltino Morais já soma mais de 30 anos (não contínuos) à frente da Câmara de Oeiras, primeiro pelo PSD e mais tarde como independente — depois de ter estado acusado na justiça.
Isaltino só interrompeu quando foi ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente (2002 a 2004) e, mais tarde, quando esteve preso (em 2010). Voltou a conquistar a Câmara em 2017 e este ano vai concorrer para o último mandato (devido à limitação imposta pela lei).
Nos dois últimos atos eleitorais em Oeiras, o PS ficou sempre a uma distância significativa do movimento independente de Isaltino Morais. Em 2017, teve apenas 13,4%, tendo conseguido eleger apenas um vereador (contra os seis eleitos pela lista liderada por Isaltino, que teve maioria), com Joaquim Raposo como candidato. Em 2021, ficou com apenas 10%, com Fernando Curto, contra os 50% de votos de Isaltino, que reforçou a maioria, conseguindo oito vereadores — enquanto o PS se manteve com apenas um.
Artigo atualizado com a votação já realizada na concelhia de Oeiras.