A Coreia do Norte afirmou que está a construir o primeiro submarino nuclear, em conformidade com a decisão do regime de reforçar as suas capacidades de defesa. O anúncio foi feito pela Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA) no passado sábado, dia 8 de março — revelando a visita do líder, Kim Jong-un, aos estaleiros navais do país.
A data e o local da visita não foram revelados. A Agência Central de Notícias da Coreia mostrou apenas fotografias nas quais Kim Jong-un aparece a inspecionar uma parte do novo submarino — maior do que qualquer outro já fabricado no país —, podendo ver-se a proa de um grande navio e outras grandes estruturas cilíndricas. No entanto, esta informação não pode ser confirmada devido ao forte controlo de informação praticado pelo governo.
▲ O líder norte-coreano Kim Jong-Un na visita a um estaleiro que constrói navios de guerra
Agência Central de Notícias da Coreia, via Associated Press
Segundo o boletim estatal, durante a visita, o líder do país analisou “a construção de um submarino de mísseis estratégicos guiados com propulsão nuclear”, inserido nos objetivos de “transformar o país numa potência marítima avançada“. A Coreia do Norte já tinha anunciado, em 2023, o lançamento do primeiro “submarino de ataque nuclear tático”. Contudo, não houve confirmação de que o submarino tenha sido implementado.
Durante a visita aos estaleiros navais, Kim Jong-un afirmou que a Coreia do Norte pretende modernizar a frota, sublinhando a necessidade de desenvolver também “navios de guerra esmagadores”, como dissuasão das “forças hostis” inimigas, que acusou de levar a cabo atividades militares navais e submarinas, “que ameaçam seriamente a soberania e os interesses” da Coreia do Norte, segundo a KCNA.
Os submarinos nucleares — apelidados de “serviço furtivo” — podem viajar em águas profundas, relativamente despercebidos, durante semanas ou meses.
O anúncio surge numa altura em que os Estados Unidos e a Coreia do Sul receiam que os norte-coreanos estejam a receber ajuda tecnológica da Rússia para ajudar a modernizar as forças armadas. Analistas independentes duvidam que o país tenha capacidade técnica e de engenharia para construir um submarino nuclear. De acordo com a CNN, Yang Moo-jin, presidente da Universidade de Estudos Norte-Coreanos, em Seul, este cenário só pode ser possível se a Coreia do Norte contar com a ajuda da Rússia, em troca do envio de tropas e de artilharia para a Guerra na Ucrânia.
O submarino nuclear retratado nas fotografias divulgadas “parecia ter 6 mil ou 7 mil toneladas, podendo transportar dez mísseis“, afirmou o especialista. “Seria absolutamente ameaçador para nós [Coreia do Sul] e para os Estados Unidos”, diz Yang Moo-jin, relembrando o conflito que terminou em 1953 do qual nunca saiu um tratado de paz assinado.
O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Brian Hughes, afirmou, também, que o país está ciente do anúncio norte-coreano. “Os EUA estão comprometidos com a completa desnuclearização da Coreia do Norte”, garantiu Hughes, citado pela Associated Press.
A Coreia do Norte conta com cerca de 70 a 90 submarinos movidos a gasóleo — o que representa uma das maiores frotas do mundo. Contudo, os submarinos são, na sua maioria, antigos e lançam apenas minas e torpedos. Desde 2016 que o país tem realizado vários testes de mísseis balísticos lançados a partir de um submarino de 2 mil toneladas com um único tubo de lançamento, que é considerado uma plataforma de teste e não um submarino operacional em ativo.