Foi um conflito que começou após o final da União Soviética. Rivais históricos, a Arménia e o Azerbaijão lutaram durante décadas pelo controlo da região do Nagorno-Karabakh, um enclave em território azeri com uma população que etnicamente se identificava como arménia. Em 2023, as tropas azeris conquistaram a região, sendo que a população que vivia no enclave fugiu para a Arménia. Agora, esta quinta-feira, findo o conflito, as duas nações do Cáucaso finalizaram o rascunho de um acordo histórico que pode enterrar de vez o machado de guerra.

Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arménia declarou que o “acordo de paz está pronto para assinar”. “A República da Arménia está pronta para começar as consultas com a República do Azerbaijão sobre a data e o local para assinar o acordo.”

Na mesma linha, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão notou “com satisfação que as negociações do rascunho do texto para o Acordo de Paz e Estabelecimento de Relações Interestatais entre o Azerbaijão e a Arménia tenham sido concluídas”. Num comunicado, o governo azeri mostrou-se “pronto para continuar o diálogo bilateral para o processo de normalização entre os dois países”.

No entanto, existem dois assuntos que criam divergências entre os dois países. No comunicado, o Azerbaijão exige que a Arménia elimine “as declarações contra a soberania e a integridade territorial do Azerbaijão” da sua Constituição. Os azeris também pretendem acabar com uma missão de monitorização da União Europeia, assim como a vigia de guardas russos das fronteiras arménias.

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Em resposta, o primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinyan, defendeu, esta quinta-feira, que o Tribunal Constitucional arménio já declarou que a Constituição do país “não contém quaisquer reivindicações territoriais contra o Azerbaijão ou outro país”. Citado pela CNN internacional, o chefe do executivo ripostou as acusações azeris, indicando que é a “Constituição do Azerbaijão que inclui reivindicações à República da Arménia”.

Nesse sentido, o primeiro-ministro da Arménia garantiu que o rascunho do acordo de paz já “resolve todas as preocupações azeris”. No entanto, há um mês, Nikol Pashinyan demonstrou abertura para um “referendo nacional” para aprovar uma nova Constituição. Não há, porém, nenhuma data no horizonte e nem sequer são conhecidos os detalhes da alteração.

Os dois países prometeram que vão continuar o diálogo para tentar superar as divergências e acabar com décadas de conflito. A aproximação entre a Arménia, mais próxima da União Europeia e cada vez mais longe da Rússia, e o Azerbaijão, um aliado da Turquia há décadas, pode ser um momento histórico para a região do Cáucaso.